O parlamentar democrata Ron Wyden está pressionando o governo dos Estados Unidos a esclarecer como as agências de segurança e aplicação da lei utilizam ferramentas de hacking e programas espiões contra americanos. Na última sexta-feira, o senador enviou um ofício ao órgão responsável por audits governamentais solicitando uma investigação abrangente sobre as práticas do FBI, da Agência Antidrogas, da divisão de investigações de segurança interna do órgão de imigração e do Serviço Secreto.
No documento compartilhado com veículos de tecnologia, Wyden afirmou que, embora essas ferramentas sejam empregadas há mais de vinte anos, praticamente não existem informações públicas sobre sua abrangência, frequência ou mecanismos de controle. O senador comparou a situação com grampos telefônicos e registros de discagem, que exigem relatórios anuais do governo, algo que não ocorre com operações de invasão digital.
Wyden formulou três principais solicitações ao órgão auditor: verificar se houve uso indevido dessas tecnologias para fins pessoais ou não autorizados; analisar como as agências adquirem, armazenam e protegem tais ferramentas para evitar vazamentos perigosos; e avaliar se os pedidos de autorização judicial para essas operações informam adequadamente os riscos de atingir pessoas inocentes ou alvos desconhecidos.
Como exemplo dos riscos envolvidos na aquisição dessas tecnologias, o senador lembrou o caso de Peter Williams, ex-executivo de uma empresa de defesa que roubou e vendeu ferramentas avançadas de invasão para um intermediário russo. Esses recursos acabaram sendo empregados por espiões russos contra a Ucrânia e por criminosos cibernéticos chineses contra investidores de criptomoedas.
O uso documentado mais antigo de spywaredas pelo FBI ocorreu em 1999, durante uma investigação contra práticas ilegais de jogos de azar e agiotagem. Na ocasião, agentes descobriram que o mafioso de Filadélfia Nicodemo Scarfo utilizava um programa de criptografia para proteger arquivos em seu computador, que supostamente continham provas importantes. Para acessar as informações, o Bureau instalou um software rudimentar capaz de registrar cada tecla digitada, permitindo a descriptografia do material.
Fonte: TechCrunch

