O Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve a prisão preventiva de Mirelis Yoseline Diaz Zerpa, cidadã venezuelana e companheira de Glaidson Acácio dos Santos, conhecido como o Faraó dos bitcoins. A decisão foi publicada nesta sexta-feira (12) pela ministra Maria Marluce Caldas, que rejeitou o habeas corpus impetrado pela defesa da acusada.
A defesa argumentou que a detida não conseguia seguir sua dieta vegana no sistema penitenciário brasileiro, pedindo a revogação da prisão preventiva. O Ministério Público Federal (MPF) se posicionou contra a soltura, e a magistrada rejeitou o fundamento apresentado pelos advogados.
Em sua decisão, a ministra esclareceu que a unidade prisional pode realizar adequações alimentares de forma administrativa, caso haja possibilidade estrutural. A magistrada enfatizou que restrições alimentares baseadas em escolhas pessoais não possuem força jurídica para ilegalizar uma ordem de prisão.
De acordo com os autos processuais, Mirelis permaneceu foragida por quase quatro anos em território norte-americano. Ela retornou ao Brasil somente após ser deportada devido a irregularidades em seu visto americano. As autoridades brasileiras registraram sua evasão no dia 30 de junho de 2021, com destino ao México, movimento que ocorreu antes da aprovação oficial do visto de estudante.
As investigações do MPF revelaram movimentações financeiras expressivas. Em janeiro de 2025, foram rastreadas operações no valor de aproximadamente R$ 20 milhões. A acusada transferiu grandes quantias das contas de Glaidson pouco tempo após a captura do empresáriocriptomoedas.
Planilhas apreendidas demonstraram acessos às plataformas de câmbio digital a partir de Kissimmee, na Flórida. A Justiça considerou o manejo autônomo dos recursos digitais como risco significativo para a recuperação do patrimônio.
Em junho do ano passado, após a deportação de brasileiros pelos Estados Unidos sob a administração de Donald Trump, Mirelis chegou ao Brasil e foi presa pela Polícia Federal no aeroporto. Ela responde por liderança de organização criminosa, entre outros crimes, sendo investigada nas operações "Kryptos", "Valeta" e "Flyer One".
Fonte: Livecoins
