O BitMart Token, conhecido como BMX, viveu uma semana de intensas perdas financeiras. Na sexta-feira anterior ao anúncio oficial, a criptomoeda linked à corretora BitMart desvalorizou-se expressivos 65% em apenas um dia. O golpe veio dois dias antes da plataforma confirmar que encerraria definitivamente suas operações.
Após o anúncio oficial de fechamento, a desvalorização se intensificou ainda mais. O token acumulou perdas totais de 85% em relação ao seu preço anterior ao início da crise. O valor de mercado da criptomoedas despencou de US$ 100 milhões para apenas US$ 18 milhões, representando uma perda bilionária em questão de dias.
O timing da queda chamou a atenção dos especialistas do mercado. A desvalorização aconteceu antes mesmo da corretora comunicar o fim de suas atividades, o que levanta questões sobre informações privilegiadas ou antecipação do mercado. No entanto, um anúncio crucial havia sido feito na quinta-feira anterior, às 20h59 pelo horário de Brasília.
Nesse comunicado, a BitMart informava que deixaria de aceitar novos registros de usuários dos Estados Unidos a partir de maio de 2022. As contas existentes de americanos poderiam continuar operando, mas com restrições. A mensagem orientava investidores residentes nos EUA a realizarem saques de suas criptomoedas até o dia 8 de agosto de 2026, às 23h59 no horário universal coordenado, dando um prazo de 15 dias corridos a partir do aviso.
O mercado brasileiro mostrou-se particularmente interessado na plataforma. Dados do SimilarWeb revelam que os EUA foram o segundo país com maior número de acessos à BitMart em junho e ocuparam a primeira posição em maio. Esse fluxo intenso de investidores americanos ajuda a explicar a reação drástica do mercado ao anúncio.
Antes do comunicado final de encerramento, a corretora tomou outras decisões significativas. Foram publicados anúncios nos dias 24 e 25 descontinuando os serviços de Automated Market Making e extinguindo o serviço de Spot Margin, indicando problemas estruturais na plataforma.
A BitMart foi fundada por Sheldon Xia e figura entre as dez corretoras de criptomoedas mais acessadas globalmente, segundo dados do ICO Analytics. A plataforma opera tanto em mercados à vista quanto em mercados de derivativos, possuindo um tráfego expressivo que supera até mesmo nomes tradicionais do setor.
A situação tornou-se ainda mais nebulosa com a revelação do então CEO Nenter Chow. O executivo afirmou ter sido desligado na sexta-feira anterior ao anúncio e descobriu o fechamento da empresa no mesmo momento que o público, gerando especulações sobre uma gestão atribulada nos bastidores.
Um ponto que gera preocupação no mercado é a ausência de uma prova de reservas por parte da corretora. Sem essa demonstração transparente de ativos, resta incerteza sobre a capacidade da empresa de honrar os pedidos de saques de seus clientes. O histórico da BitMart inclui um hacker devastador em dezembro de 2021, quando aproximadamente US$ 200 milhões foram furtados, o que equivale a mais de um bilhão de reais na cotação da época. Na ocasião, Sheldon Xia confirmou que invasores roubaram as chaves privadas da plataforma.
Embora a queda do token possa ser parcialmente explicada pelo anúncio relacionado aos investidores americanos, analysts especulam sobre uma possível pressão regulatória dos Estados Unidos. Até o momento, não existe nenhum processo público registrado contra a corretora nas cortes americanas.
Fonte: Livecoins
