Uma decisão judicial revelada nesta segunda-feira impede vítimas chinesas de fraude de recuperarem bilhões em criptomoedas confiscadas no Reino Unido. O tribunal considerou que os conflitos envolvendo os 61 mil Bitcoin devem ser resolvidos na justiça chinesa, e não na britânica.
Os ativos digitais estão avaliados em aproximadamente 5 bilhões de dólares e são provenientes de uma operação fraudulenta praticada por uma mulher de 47 anos, natural da China. Ela conseguiu fugir para território britânico após aplicar um golpe em seu país de origem. Há cerca de um ano, a suspeitos foi condenada a onze anos de prisão, e as criptomoedas acabaram nas reservas do governo do Reino Unido.
A justiça britânica fundamentou sua decisão argumentando que a aquisição dos Bitcoin aconteceu na China. Segundo o tribunal, se a legislação chinesa não reconhece mais quaisquer direitos de propriedade sobre os ativos após essa compra, o rastreamento na Inglaterra não seria capaz de restabelecer esses direitos posteriormente.
Os ativos digitais estão parados nas carteiras do governo britânico há aproximadamente cinco anos. Durante esse período, o valor das criptomoedas disparou de 2,6 bilhões de dólares para mais de 5 bilhões de dólares. As vítimas, que caíram no golpe entre 2014 e 2017, enfrentam agora uma valorização ainda mais expressiva do Bitcoin, tornando a perda financeira ainda mais significativa.
Esta situação evidencia a complexidade dos sistemas jurídicos internacionais quando criptomoedas estão em disputa. O governo dos Estados Unidos também enfrenta um caso semelhante, mantendo mais de 306 mil Bitcoin, equivalentes a 25,5 bilhões de dólares, em suas reservas. Parte desse valor está relacionada ao ataque cibernético contra a corretora Bitfinex, ocorrido em 2016. Mesmo após quatro anos da apreensão e da libertação dos suspeitos, a quantia ainda não foi devolvida.
Fonte: Livecoins