Após uma década de experiência na Amazon e na startup de floricultura Colvin, Sergi Bastardas sempre percebeu uma lacuna persistente: a falta de uma infraestrutura humana eficiente para gerenciar os trabalhadores nos bastidores. Essa percepção o motivou a fundar, em 2025, ao lado dos co-fundadores Nacho Travesí e Antonio Melé, a Orbio — uma startup empresarial que utiliza agentes de inteligência artificial para auxiliar empresas na gestão de trabalhadores de linha de frente.
Na segunda-feira, a empresa anunciou a captação de 21 milhões de dólares em uma rodada série A, liderada pelo fundo Dawn Capital. A startup já atende clientes como Poke e YUM! Brands, conglomerado responsável por Pizza Hut, Taco Bell e KFC, para integrar e gerenciar seus funcionários de primeira linha. Segundo Bastardas, os clientes estão avançando de projetos-piloto para a implantação completa do software.
Como exemplo concreto, ele destacou que na provedora de saúde comportamental The Stepping Stones Group, a Orbio agora administra toda a operação nos Estados Unidos, resultando em um aumento de 20% no número de candidatos que conseguem avançar no processo de contratação.
Os agentes da Orbio — Maria, Daniel e Claire — são capazes de realizar entrevistas com candidatos, avaliar a adequação ao cargo, monitorar a produtividade dos funcionários e conduzir check-ins diários ao longo de toda a jornada do colaborador. O objetivo é permitir que as empresas gerenciem suas forças de trabalho de forma autônoma, delegando operações rotineiras à inteligência artificial enquanto mantêm o engajamento e suporte aos trabalhadores de linha de frente.
"Cada agente gera dados que alimentam os demais: sinais de integração informam a qualidade do recrutamento; entrevistas de desligamento revelam por que funcionários saem, o que recalibra critérios de contratação; dados de engajamento identificam riscos de retenção", explicou Bastardas.
A Orbio compete com diversas startups do setor, como a Paradox, que automatiza processos de recrutamento, e a WorkJam, que auxilia no gerenciamento de funcionários de linha de frente. No entanto, Bastardas considera que o maior concorrente da empresa é a abordagem tradicional de gestão desses trabalhadores — especialmente em setores como saúde, varejo e logística —, um processo fragmentado que ainda depende frequentemente de planilhas e ligações telefônicas.
A empresa já levantou um total de 26 milhões de dólares em financiamento, com investimentos de fundos como Visionaries e 2100 Ventures. O capital recente será utilizado para contratar e desenvolver novos agentes de inteligência artificial.
"Isso será uma transformação tanto para os negócios quanto para a força de trabalho", afirmou Bastardas. "Os 2,7 bilhões de pessoas que mantêm os setores de saúde, varejo, logística e hotelaria funcionando, a maioria sem um endereço de e-mail corporativo, nunca receberam nada. Este é o momento delas com a inteligência artificial."
Fonte: TechCrunch
