Três engenheiros de software da Amazon afirmaram nesta semana estar sendo investigados internamente pela empresa após terem se pronunciado publicamente perante o Conselho Municipal de Seattle, defendendo a regulamentação de centros de dados na cidade. Os trabalhadores, que atuam em diferentes divisões da gigante tecnológica e residem na região de Seattle, apresentaram uma reclamação conjunta ao Escritório de Direitos Civis da capital de Washington, acusando a empregadora de intentar contra eles de forma ilegal e retaliatória por expressarem suas opiniões políticas pessoais.
Os funcionários afetados — Patrick Schloesser, Darius Irani e Liesel Wigand — relatam que foram chamados separadamente para reuniões virtuais com representantes de relações trabalhistas da Amazon na última quarta-feira. Segundo Schloesser, a investigação interna pode resultar em demissão. "É uma acusação totalmente ridícula", declarou um dos engenheiros afetados. "É patentemente absurda." A empresa não respondeu imediatamente aos pedidos de comentários feitos pela imprensa.
Os três trabalhadores integram o grupo Amazon Employees for Climate Justice, uma coletivo que reúne milhares de atuais e ex-funcionários da empresa e que há anos advocating pela adoção de práticas mais sustentáveis. Durante suas falas nas sessões públicas do conselho municipal, os engenheiros se identificaram como membros do grupo, mas destacaram que não estavam falando em nome da empresa, que segundo eles não emitiu qualquer posicionamento formal sobre a questão dos data centers.
"Decidi me posicionar publicamente pela primeira vez porque estou cansado de sentir medo de defender meus valores", afirmou Schloesser durante inúmeração do conselho. "Nós que trabalhamos no setor de tecnologia temos um papel neste momento. Queremos que os conselheiros nos incluam no processo de elaboração de políticas justas para inteligência artificial e centros de dados."
A reclamação apresentada à autoridades de Seattle argumenta que a empresa violou uma lei local que proíbe empregadores privados de discriminar funcionários com base em suas crenças políticas e nas organizações às quais pertencem. Abby Lawlor, advogada do escritório Barnard Iglitzin & Lavitt que assessora os empregados, explicou que Seattle é uma das poucas jurisdições do país com essa proteção legal. "Aqui temos ferramentas jurídicas para lutar e garantir que os trabalhadores de tecnologia possam participar plenamente dessas discussões locais importantes", completou.
Os funcionários denunciaram ainda um padrão de comportamento da Amazon no sentido de silenciar ações coletivas de trabalhadores, incluindo em seus armazéns, além de usar acordos de confidencialidade e outras táticas para proteger projetos de data centers de escrutínio público. Eles afirmaram ter recebido diversas mensagens de apoio de colegas, sem qualquer crítica interna, a não ser nas reuniões com o departamento de recursos humanos.
Os centros de dados tornaram-se um ponto de discursão política intenso porque, embora possam atrair investimentos significativos para as comunidades, estão consumindo quantidades crescentes de energia e água para atender à demanda crescente por inteligência artificial. Após receber dezenas de comentários favoráveis do público, o Conselho Municipal de Seattle aprovou por unanimidade uma moratória de um ano para novas construções de centros de dados, permitindo tempo para a imposição de novas regras ao setor.
Margaret Callahan, porta-voz da Amazon, havia declarado anteriormente que a empresa respeita o direito dos funcionários de expressar suas opiniões e que busca ser uma administradora responsável nas comunidades onde opera.
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