A gigante tecnológica Amazon está conduzindo uma investigação interna contra três engenheiros que se manifestaram publicamente contra a construção de novos centros de dados para inteligência artificial na cidade de Seattle. Os profissionais são membros do grupo Amazon Employees for Climate Justice e testemunharam em reuniões do conselho municipal da cidade.
De acordo com informações divulgadas pelos veículos de comunicação CNBC e GeekWire, o grupo apresentou uma queixa de direitos civis em nome dos três engenheiros, accusando a empresa de violar uma legislação municipal que proíbe discriminação contra funcionários com base em ideologia política, raça, religião e idade. Os profissionais falaram em audiências públicas que discutiam a possibilidade de implementar uma moratória na expansão dos centros de dados de IA.
Durante as audiências, os engenheiros solicitaram que o conselho municipal exigisse requisitos de energia renovável e proteções trabalhistas relacionadas aos centros de dados. Eles também pediram que o governo interrompesse os planos da indústria de expandir a capacidade computacional o mais rápido possível, antes que as regulamentações pudessem acompanhar o ritmo de crescimento.
Após as audiências, os três profissionais foram chamados separadamente para reuniões com o departamento de recursos humanos, onde foram informados que estavam sendo investigados e que o processo poderia resultar em medidas disciplinares, incluindo a demissão. A Amazon negou ter ameaçado os engenheiros de demissão, afirmando que está verificando se eles falaram como representantes da empresa sem seguir os procedimentos internos estabelecidos.
A empresa esclareceu que não tolera comportamentos retaliatórios e que, após analisar os testemunhos, ficou evidente que os engenheiros podem ter falado na qualidade de colaboradores da Amazon e não como cidadãos privados. A spokesperson Margaret Callahan enfatizou que a investigação visa verificar se houve violação das políticas internas da empresa.
Vale ressaltar que, em 2020, a Amazon já havia demitado Emily Cunningham e Maren Costa, duas organizadoras originais do grupo de funcionários, por críticas às práticas climáticas e trabalhistas da empresa. As ex-funcionárias processaram a empresa por demissão ilegal, e a Amazon chegou a um acordo com elas em 2021, sendo obrigada a pagar os salários atrasados e a publicar um comunicado interno informando que não pode dispensar funcionários por organizarem e exercerem seus direitos.
