Início Tecnologia Dispositivos vestíveis e tatuagens: a tecnologia que não reconhece peles com tinta
Tecnologia

Dispositivos vestíveis e tatuagens: a tecnologia que não reconhece peles com tinta

Share
Fonte: Engadget - Technology News & Expert Reviews
Share

Quem gastou centenas de reais em um monitor de atividade física ou smartwatch certamente não quer descobrir que o dispositivo simplesmente não funciona com o próprio corpo. No entanto, esse é um problema bastante comum entre pessoas que possuem tatuagens nos pulsos desde o surgimento dos dispositivos vestíveis inteligentes.

Ao longo dos anos, countless publicações em páginas de suporte técnico e fóruns especializados documentaram que a pele tatuada frequentemente não é compatível com os sensores utilizados por esses aparelhos. O principal transtorno enfrentado pelos usuários está relacionado à medição da frequência cardíaca.

Os dispositivos vestíveis utilizam uma técnica baseada em luz chamada fotopletismografia para medir os batimentos cardíacos. É aquela luz verde que aparece quando a pessoa vira o smartwatch para verificar o pulso. O problema é que a tinta da tatuagem pode bloquear essa luz, interferindo nas medições e resultando em dados imprecisos ou até mesmo em lecturas ausentes.

Além disso, há o problema da detecção de pulso. Os appareils também empregam luzes para determinar se estão sendo usados no pulso do usuário, utilizando também um acelerômetro e sensores elétricos. Ao colocar um monitor de atividades em um pulso coberto por tatuagem, o dispositivo pode simplesmente não reconhecer que está sendo usado, obrigando o usuário a desbloquear o aparelho repetidamente sempre que deseja interagir com ele.

Pode parecer absurdo que uma tecnologia avançada capaz de responder a gestos e oferecer coaching personalizado de sono seja travada por um pouco de pigmento na pele. Contudo, essa reclamação não égroundless. Os próprios fabricantes de dispositivos reconheceram o problema e orientaram os consumidores a evitarem posicionar os aparelhos sobre tatuagens.

A Garmin informa em sua página de suporte que tatuagens podem bloquear a luz do sensor de frequência cardíaca, causando medições imprecisas ou ausentes. A recomendação oficial é usar o relógio em pele livre de tatuagens sempre que possível. A Apple emitiu avisos semelhantes desde o lançamento do primeiro Apple Watch.

Para contornar a situação, usuários com tatuagens desenvolveram algumas alternativas, embora nenhuma seja perfeitamente ideal. A solução mais simples é posicionar o dispositivo na parte interna do pulso, onde geralmente há mais pele sem tinta, ou usar o relógio no pulso oposto que não tenha tatuagens. No entanto, para quem está acostumado a usar relógio em um determinado pulso por anos, essa mudança pode ser bem estranha.

Como solução rápida, algumas pessoas juram que funcionam adesivos de tampas de garrafas de epoxy ou pedaços de fita transparente sobre os sensores. Inexplicavelmente, essa técnica corrige o problema para muitos usuários. Acessórios reutilizáveis desenvolvidos para funcionar da mesma forma também tiveram alguma aceitação no mercado.

Outra opção é utilizar uma cinta peitoral para quem busca apenas precisão na medição da frequência cardíaca, desde que não tenha tatuagens no peito. Contudo, essa não é a forma mais confortável ou prática de usar um dispositivo vestível no dia a dia.

Por fim, o problema continuará existindo até que os sensores sejam aprimorados para considerar variações na pele, como a tinta de tatuagem. Além disso, sensores baseados em luz também se mostram menos confiáveis para pessoas com pele escura, evidenciando a necessidade de maior diversidade na pesquisa e desenvolvimento desse tipo de tecnologia.

De forma anedótica, parece que o Pixel Watch 4 do Google pode ser muito melhor lidando com pele tatuada do que seus predecessores. Havia rumores de que a Samsung introduziu uma atualização há alguns anos para melhorar esse aspecto, mas as reclamações de usuários de Galaxy Watch tatuados sugerem o contrário.

Identificar o problema é teoricamente o primeiro passo para resolvê-lo, porém a realidade mostra que a interferência das tatuagens nas medições dos sensores não é consistente entre os casos. Um estudo publicado em 2025 tentou quantificar a diferença entre as medições feitas por dispositivos usados sobre pele tatuada versus pele sem tatuagem. Embora tenha encontrado imprecisões nos dados, os resultados foram mistos.

Os pesquisadores utilizaram o Polar Verity Sense e uma braçadeira, equipando os participantes com um dispositivo sobre uma tatuagem e outro no mesmo braço em uma área sem tatuagem. Os participantes também usaram um monitor de frequência cardíaca Polar H10 como referência, considerado mais preciso.

Ao longo de um dia, foram monitorados em repouso, caminhando em seu ritmo habitual e correndo. Os resultados revelaram que as tatuagens realmente impactaram as medições de frequência cardíaca, mas esse efeito dependia do nível de atividade do usuário, com o maior impacto observado em repouso e a variação diminuindo conforme a intensidade do exercício aumentava.

Em alguns casos, os pesquisadores destacaram que a presença de uma tatuagem no braço não afetou a validade da medição de forma alguma. Existem diversas variáveis a serem consideradas, como a cor da tinta, a saturação e a profundidade da tatuagem. Atualmente, ainda não há pesquisa suficiente sobre os detalhes do problema para trazer uma solução definitiva.

Fonte: Engadget – Technology News & Expert Reviews

Share
Artigos relacionados
Tecnologia

Startups de fusão nuclear que levantaram mais de R$ 100 milhões ganham impulso e atraem bilhões em investimentos

O setor de fusão nuclear atravessa uma transformação radical. O que durante...

Tecnologia

Aura Ink: o porta-retrato digital que desafia a aparência tecnológica

Você já se perguntou qual presente pode ser considerado clichê para oferecer...

Tecnologia

Player NTS Radio leva o melhor do rádio pela internet para seu sistema de áudio

Uma parceria entre a estação britânica NTS Radio e a empresa sueca...

Tecnologia

Philips Hue lança módulos de parede com fio para integrar luzes convencionais ao seu ecossistema

A Philips Hue, marca da empresa Signify especializada em iluminação inteligente, anunciou...