A gigante europeia de telecomunicações via satélite Eutelsat revelou sua ambitionsa estratégia de expansão ao apresentar à autoridade reguladora americana FCC o projeto de sua nova constelação de satélites. O plano, desenvolvido por meio da subsidiária Via WorldVu Satellites Limited, recebe o nome de Eutelsat Next e representa um investimento significativo no segmento de órbitas não geoestacionárias.
O sistema proposto contempla o lançamento de 528 satélites em órbita baixa, operando a uma altitude de 1.220 quilômetros, além de unidades sobressalentes mantidas em órbita para situações de emergência. A infraestrutura terrestre incluirá instalações de controle e estações gateway distribuídas globalmente para garantir a operação contínua da rede.
Conforme detalhado no documento enviado à comissão americana, a nova constelação foi projetada para ampliar a capacidade da empresa de oferecer serviços de comunicação seguros, resilientes e de alta velocidade em todo o mundo. A expectativa é que o Eutelsat Next complemente a infraestrutura já existente da OneWeb, adicionando capacidade adicional para atender clientes globais com serviços avançados de comunicação.
No que diz respeito às especificações técnicas, os satélites utilizarão a banda Ku para as transmissões de rádio frequência entre as unidades espaciais e os terminais de usuário final, enquanto a banda Ka será empregada nas comunicações entre os satélites e as estações gateway. Cada satélite poderá gerar até 140 feixes de usuário na banda Ku, contando com processamento a bordo e possibilidades de utilização de enlaces ópticos inter-satélites para otimização das rotas de comunicação.
A constelação OneWeb, que atualmente compõe o portfólio de órbitas não geoestacionárias da Eutelsat, já oferece conectividade banda larga por satélite de última geração para clientes nos Estados Unidos e ao redor do mundo, operando com mais de seiscentos satélites. Este sistema de ponta permite que a empresa atinja mesmo as regiões mais remotas do planeta, possibilitando a implementação de produtos e parcerias para aplicações fixas e de mobilidade, incluindo serviços portáteis, marítimos, veiculares e aeroespaciais.
Os satélites serão desorbitados ao final de sua vida útil, geralmente dentro de cinco anos após o encerramento de suas missões. A rede terrestre do projeto prevê aproximadamente 50 estações gateway distribuídas globalmente, incluindo seis unidades já operadas atualmente nos Estados Unidos para a frota OneWeb.
A combinação integral das ações com a operadora de órbita baixa OneWeb foi finalizada em setembro de 2023, criando uma entidade unificada que opera uma frota multi-órbita. A empresa resultante possui mais de 30 satélites geoestacionários em operação e aproximadamente 600 unidades em órbita baixa.
Recentemente, a Eutelsat concedeu à Airbus Defence and Space um contrato para a fabricação de 340 satélites adicionais para a constelação OneWeb, somando-se às 100 unidades contratadas anteriormente, garantindo assim a continuidade operacional da rede existente. As entregas estão programadas para iniciar no final do ano.
A OneWeb mantém dezenas de estações terrestres em operação globalmente para atender sua frota de órbita baixa, enquanto a Eutelsat mantém um amplo portfólio de estações próprias para sua frota geoestacionária. A empresa havia celebrado um acordo de venda e leaseback com o fundo EQT no valor de 831 milhões de dólares para desmembrar sua infraestrutura de estações terrestres em uma empresa separada, porém o governo francês barrou a transação no início deste ano.
Fonte: DCD
