A startup Cascade conseguiu um aporte de US$ 3,5 milhões em uma rodada seed para desenvolver uma plataforma que auxilia empresas do setor de arquitetura, engenharia e construção a encontrar e vencer projetos. O investimento veio dos fundos Andreessen Horowitz Speedrun, Ada Ventures e Snowball VC.
Lançada em 2025, a empresa surgiu da experiência das fundadoras Hannia Zia e Joana Ferreira ao perceberem as dificuldades que os negócios de construção enfrentam para garantir trabalho de forma previsível. "Minha mãe trabalhava em uma empresa que vendia materiais para construtoras, e meu tio construía mansões no Oriente Médio. Eles são incríveis no que fazem, mas não têm acesso às ferramentas certas para conseguir mais trabalhos", contou Ferreira em entrevista.
Zia lembrou ainda da tentativa de seu pai de abrir uma empresa de construção em seu país natal, o Paquistão. "Ele simplesmente não conseguia projetos suficientes para se manter", afirmou. A fundadora descreve o processo atual de busca por projetos de construção como uma "caça ao tesouro constante", já que as empresas precisam acessar portais de cada estado, cidade, distrito, condado e agência federal dos Estados Unidos.
A plataforma da Cascade funciona da seguinte forma: a empresa se cadastra e a ferramenta utiliza inteligência artificial para determinar quais projetos ela tem maior probabilidade de vencer. O sistema também prevê quais obras estão por vir, analisando sinais e dados de estados americanos, distritos locais, contratos privados e agências federais.
Como exemplo, se um estado anunciar uma verba de US$ 100 milhões para habitação acessível, a plataforma monitora quais desenvolvedores venceram essa inúmera quando foi anunciada anteriormente. "Conectamos esses dados e dizemos ao cliente: 'Provavelmente um desses cinco desenvolvedores vai ganhar essa nova verba, então vá falar com eles para vencer os projetos'", explicou Ferreira.
O duo aplicou para o programa Speedrun da Andreessen Horowitz em setembro do ano passado. A pressão para apresentar um bom desempenho no demo day e a proximidade com outros fundadores de destaque ajudaram a empresa a assinar contratos com construtoras responsáveis pelos aeroportos JFK e La Guardia, hotéis Four Seasons e alguns data centers.
"O Speedrun nos deu visibilidade e uma aprovação para fechar grandes negócios", disse Zia. Os recursos serão utilizados para expandir a atuação no mercado, realizar eventos do setor e contratar mais engenheiros.
Outras startups que atuam no segmento incluem GovWin IQ e ConstructConnect. No entanto, Ferreira argumenta que a Cascade é mais nativa em inteligência artificial. "Cada vez que um cliente vence uma licitação, ele fornece feedback, então o sistema continua ficando mais inteligente. Com o tempo, teremos um mapa completo do setor que nossa inteligência artificial poderá percorrer para prever os melhores projetos e leads para cada cliente", concluiu.
Fonte: TechCrunch
