Início Tecnologia Energia como prioridade: como os data centers enfrentam o desafio de alimentar a era da inteligência artificial
Tecnologia

Energia como prioridade: como os data centers enfrentam o desafio de alimentar a era da inteligência artificial

Share
Fonte: DCD
Share

O setor de data centers se encontra diante de um obstáculo energético de grandes proporções. A convergência entre a expansão massiva da inteligência artificial e uma infraestrutura elétrica herdada de décadas passadas criou um descompasso difícil de ignorar. As redes elétricas foram concebidas para uma realidade tecnológica muito diferente da atual, e à medida que a inteligência artificial se torna cada vez mais presente no cotidiano, essa pressão tende a moldar os rumos da indústria nos próximos anos.

Na CyrusOne, a energia ocupa um papel central na estratégia empresarial. Ela orienta a escolha de localização das instalações e reforça o compromisso com os clientes. Em um mundo cada vez mais dependente de eletricidade, a gestão responsável dos recursos é a base de uma abordagem que busca, ao mesmo tempo, capacidade confiável e infraestrutura mais limpa e eficiente.

O avanço dos modelos de inteligência artificial está provocando uma reformulação profunda na engenharia dos data centers. O setor migra para implantações de altíssima densidade, sistemas avançados de refrigeração líquida e ambientes sob medida. As cargas de trabalho típicas de inteligência artificial e as operações em escala hiperscala estão elevando a densidade por rack de três a cinco quilowatts para mais de cem quilowatts, com sistemas experimentais ultrapassando os trezentos quilowatts. A tendência é que novas melhorias surjam em distribuição elétrica, refrigeração e otimização de cargas, incluindo o gerenciamento energético no nível do gabinete e o uso de armazenamento térmico para lidar com picos temporários.

Plataformas de nova geração, como a Intelliscale da CyrusOne, foram desenvolvidas para atender às exigências da inteligência artificial, viabilizando computação de alta densidade e oferecendo a escalabilidade e a flexibilidade necessárias para soluções modernas de energia e refrigeração.

Além das demandas técnicas, há entraves adicionais que merecem atenção, como incentivos de mercado defasados e uma certa inércia regulatória, fatores que podem retardar a entrega de nova capacidade. Os investimentos em expansão da rede elétrica costumam depender do poder público, que nem sempre tem motivação para aprovar grandes crescimentos de caráter especulativo. Isso obriga as empresas a desenvolverem geração própria ou a firmarem parcerias com geradores locais para comprar energia diretamente, fora da rede convencional. Contudo, essa alternativa costuma ser cara e frequentemente recorre a combustíveis de alta intensidade de carbono, como o gás natural. Por isso, a conexão à rede elétrica permanece essencial para garantir energia mais limpa e a custos menores.

Os pequenos reatores modulares, conhecidos pela sigla em inglês SMR, surgem como uma possibilidade para preencher o crescente vazio energético do setor. Trata-se de uma fonte capaz de viabilizar a oferta de serviços digitais, inteligência artificial e outras cargas de trabalho avançadas de maneira eficiente. Os SMRs produzem energia sem emissões e criam nova capacidade de geração próxima aos pontos de consumo, aliviando a pressão sobre as linhas de transmissão já saturadas.

Apesar de a tecnologia ainda não ter sido comprovada em larga escala, ela se apresenta como uma das soluções mais promissoras para alimentar grandes volumes de trabalho. Este é o momento decisivo para enfrentar as emissões de carbono, caso se deseje manter o objetivo de limitar o aquecimento global a um grau e meio até 2030. Ainda que projetos nucleares tenham historicamente enfrentado atrasos e dificuldades de implementação, é animador que, em maio de 2026, o discurso do Rei do Reino Unido tenha anunciado medidas para viabilizar a construção de SMRs. O novo programa legislativo do governo britânico implementará as recomendações da revisão independente sobre regulação nuclear por meio de um novo Projeto de Lei de Regulação Nuclear, simplificando a instalação e a construção de novos reatores para abastecer comunidades e indústrias locais, incluindo os data centers.

Mesmo com possíveis avanços regulatórios, a expectativa é de que os SMRs não entrem em operação antes de meados da década de 2030. Embora fabricantes como a Rolls Royce estejam determinados a desenvolver a tecnologia, ela ainda precisa ser totalmente testada, e sua implantação depende também de melhorias na transmissão que permitam integrá-los à rede. Enquanto isso, fontes alternativas de energia sustentável exercem papel fundamental na estratégia do setor. Inovações como sistemas avançados de refrigeração, projetos de altíssima densidade voltados para cargas de inteligência artificial e estratégias mais inteligentes de gestão energética são vitais para auxiliar os data centers em sua jornada de sustentabilidade até que os pequenos reatores modulares se tornem uma alternativa concreta.

A cooperação com concessionárias e geradores de energia é essencial para acelerar entregas. Também é importante garantir maior transparência sobre o uso de energia e promover um planejamento coordenado mais sólido, capaz de desfazer equívocos sobre o setor. Em Fort Worth, no Texas, a empresa está implantando infraestrutura de data center no mesmo local de um sistema de armazenamento de energia em baterias em escala de rede, o que permite uma conexão mais rápida à rede. Ao aproveitar a infraestrutura existente de transmissão de alta tensão e a capacidade de subestações, incluindo um sistema de armazenamento de cem megawatts adjacente ao site DFW7, em parceria com a empresa de energias renováveis e armazenamento Eolian, foi possível acelerar a entrada em operação desse local estratégico.

Outras colaborações relevantes incluem o acordo de cento e noventa megawatts com a Calpine para garantir energia, conexão à rede e terreno para o campus DFW10, no condado de Bosque, também no Texas; a Parceria Preferencial firmada com a E.ON na Europa; e a joint venture com a concessionária japonesa Kansai Electric Power Company, conhecida como KEPCO. Esses exemplos demonstram como parcerias globais podem aumentar a resiliência da rede elétrica mais ampla ao mesmo tempo em que reduzem a pressão sobre ela.

A realidade é que alguns mercados continuarão enfrentando barreiras para garantir acesso à rede. Nos Estados Unidos, a concentração de demanda, os custos de energia e a disponibilidade de potência criam um cenário mais favorável. Já a Europa começa a ganhar terreno, impulsionada por prioridades soberanas de infraestrutura digital, demanda empresarial madura e marcos regulatórios energéticos aprimorados.

Embora as restrições energéticas sigam sendo um desafio, é fundamental manter uma mentalidade que priorize a energia e atuar de forma responsável para sustentar a sociedade digital. Por meio de colaboração, tecnologias inovadoras, infraestrutura sustentável em larga escala e as capacidades adequadas, será possível impulsionar resiliência, confiabilidade e inovação duradouras no setor de data centers.

Fonte: DCD

Share
Artigos relacionados
Tecnologia

10 jogos rápidos para Nintendo Switch que você termina em menos de 2 horas

O Nintendo Switch se consolidou como uma plataforma híbrida que permite jogar...

Tecnologia

Perdeu o acesso ao Facebook? Saiba como recuperar sua conta em diferentes situações

Muitos usuários acreditam que, ao perder o e-mail, a senha ou o...

Tecnologia

Apple planeja lançar óculos inteligentes com foco em privacidade para competir no mercado

A Apple pretende apresentar seus primeiros óculos inteligentes durante a WWDC, a...

Tecnologia

Carros elétricos parados nas garagens podem ser a chave para salvar a rede elétrica

À primeira vista, um veículo elétrico passando pela estrada parece comum. Mas...