Um príncipe da família real saudita, Alwaleed bin Talal Al Saud, adquiriu uma fatia de 5% na montadora de veículos elétricos Lucid Motors, ampliando a participação total do reino na empresa. Um documento recente registrado na Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos, divulgado na terça-feira, revela que o bilionário comprou pouco mais de 19 milhões de ações da companhia.
Em publicação na rede social X, o príncipe afirmou que seu escritório de investimentos realizou a compra quando o valor de mercado da Lucid estava abaixo de 2 bilhões de dólares. O momento coincide com 14 de julho, data em que um blog especializado em veículos elétricos noticiou que a empresa estaria avaliando a possibilidade de entrar com pedido de proteção contra falência ou de ser privatizada pelo fundo soberano da Arábia Saudita.
A Lucid negou veementemente os rumores, e o preço de suas ações se recuperou desde então. "Não comentamos investimentos individuais, mas estamos cientes e agradecemos o voto de confiança independente", declarou Nick Twork, diretor de comunicação da montadora, em nota enviada à imprensa especializada.
A aquisição acontece em meio a um amplo processo de reestruturação iniciado pelo novo presidente-executivo da empresa, Silvio Napoli, que em junho reduziu em 18% o quadro de funcionários como parte de um esforço para "simplificar a companhia". Esse corte veio após demissões em volume semelhante ocorridas no início do ano, antes da chegada do novo executivo.
A Lucid Motors é controlada majoritariamente pelo Fundo de Investimento Público desde o aporte inicial realizado em 2018. O investimento aconteceu depois que a Arábia Saudita cogitou, mas acabou desistindo, de uma tentativa de tirar a Tesla da bolsa de valores.
Desde a fusão da fabricante com uma companhia de aquisição de propósito específico em 2021 — operação que a levou ao mercado de capitais e levantou 4 bilhões de dólares — o fundo saudita detém cerca de 60% das ações da empresa. Os sauditas seguiram como principal fonte de sustentação financeira da Lucid após a abertura de capital, adquirindo ações e emprestando bilhões de dólares enquanto a companhia enfrentava dificuldades para conquistar o mercado de veículos elétricos nos Estados Unidos e no exterior.
O príncipe Alwaleed bin Talal tem histórico relevante de investimentos em empresas de tecnologia norte-americanas. Por meio de sua holding, foi um dos maiores acionistas do Twitter quando a rede social ainda era negociada em bolsa. Em 2022, inicialmente resistiu à tentativa de Elon Musk de comprar a plataforma, mas logo mudou de posição e se aproximou do bilionário, tornando-se o segundo maior acionista do Twitter após a privatização conduzida por Musk. Não está claro, porém, se ele manteve essa participação ao longo das transformações da empresa em X, da posterior fusão com a xAI e, mais recentemente, de sua integração à SpaceX.
O príncipe também possui participações na Snap e na Deezer, sendo frequentemente chamado de "Warren Buffett árabe", segundo informa seu site oficial.
Fonte: TechCrunch
