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Escassez do Mac Mini se agrava: esperas de meses e preços até 25% mais altos

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A procura pelo Mac Mini, computador compacto da Apple, disparou nos últimos meses em razão do crescimento do processamento de inteligência artificial diretamente no dispositivo, e a empresa ainda não conseguiu atender à demanda. Três meses depois de o então presidente-executivo da Apple, Tim Cook, admitir que a fabricante havia sido pega de surpresa pelo aumento do interesse no produto, a situação melhorou um pouco, mas continua distante do normal.

No auge da crise, a configuração mais básica do Mac Mini chegou a desaparecer completamente do estoque da loja oficial da Apple e de grandes varejistas, como Amazon e Best Buy. Hoje o aparelho voltou a aparecer no site da fabricante, porém os prazos de entrega continuam longos, o que evidencia a gravidade do quadro.

Ao adquirir o produto diretamente da Apple, o modelo mais barato, com 16 gigabytes de memória, leva de três a quatro semanas para ser entregue. Para efeito de comparação, um MacBook Air com a mesma quantidade de memória tem prazo de duas a três semanas, o mesmo que o MacBook Neo equipado com 8 gigabytes.

A memória é o principal fator por trás dos atrasos: quanto maior a capacidade, mais demorada é a espera. Configurações com 36 gigabytes exigem cerca de um mês, enquanto versões com 48 gigabytes podem levar três meses ou mais para chegar ao consumidor. Já o Mac Studio com 48 gigabytes tem prazo estimado de 13 a 14 semanas. Essas variantes mais robustas nem sequer são vendidas em varejistas como Amazon e Best Buy.

O cenário pode criar um conflito com a próxima geração de produtos. O Mac Mini não recebe atualização desde outubro de 2024, e rumores apontam para uma versão com processador M5 no outono deste ano. Assim, quem comprar hoje um Mac Mini com processador M4 corre o risco de receber o aparelho depois do anúncio do modelo mais recente, sinal de quanto a empresa está atrasada em relação ao mercado.

A maneira mais rápida de conseguir um Mac Mini no momento é por meio da Amazon. Embora as opções de configuração sejam limitadas, é possível adquirir um modelo M4 com 24 gigabytes de memória e 512 gigabytes de armazenamento, com entrega em poucos dias. O preço, porém, gira em torno de 1.570 dólares, cerca de 471 dólares a mais do que na loja da Apple. A versão com processador M4 Pro também está disponível por 1.570 dólares, apenas 100 dólares acima do valor oficial, com prazo de cerca de uma semana e meia. Essas são praticamente as únicas versões que valem a pena comprar agora.

Os preços subiram de forma generalizada em toda a linha de computadores da Apple. No início de maio, a empresa descontinuou de forma discreta a configuração inicial do Mac Mini, que vinha com 256 gigabytes de armazenamento e custava 599 dólares, elevando o preço de entrada para 799 dólares. No fim de junho, a versão com 256 gigabytes foi relançada por 699 dólares — cem dólares a mais —, enquanto o modelo com 512 gigabytes passou a custar 899 dólares, em linha com os reajustes aplicados aos notebooks da marca.

O Mac Studio, contudo, foi onde os valores se tornaram mais salgados. A versão de entrada com processador M4 Max saltou para 2.499 dólares, um aumento de 500 dólares. A opção mais potente, equipada com processador M3 Ultra, foi de 3.999 para 5.299 dólares. Além da longa espera, os consumidores agora enfrentam preços até 25% superiores.

A Apple atribuiu esses reajustes, considerados inevitáveis, ao avanço expressivo no custo de componentes como memória e armazenamento. Os preços da memória para o consumidor final começaram a subir no final de 2025, e fabricantes de laptops já alertavam investidores sobre a escassez que atingiria 2026. Agora, o efeito sobre a capacidade da Apple de manter preços acessíveis e suprir a procura se torna evidente.

Relatos indicam que a Apple tem buscado fontes alternativas para componentes de memória, inclusive empresas chinesas anteriormente impedidas de fornecer à companhia, mas a solução é de longo prazo. As projeções do setor apontam que os custos de memória não devem recuar antes de 2030, e a fabricante SK Hynix afirmou recentemente que 2027 pode ser o pior ano da crise. A recomendação é se preparar para tempos difíceis.

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