A empresa Anthropic publicou um relatório abrangente documentando como sua plataforma de inteligência artificial Claude foi explorada para atividades ilegais ao longo dos últimos oito meses. O documento revela casos alarmantes que incluem operações de hackers apoiados por estados nacionais, campanhas de desinformação política e tentativas de desenvolvimento de armas biológicas.
Entre os casos mais preocupantes, pesquisadores identificaram que um grupo de hackers russos conhecido como Midnight Blizzard utilizou o sistema para espionar redes governamentais da Ucrânia e de outros países europeus. O grupo criminoso ShinyHunters incorporou a ferramenta em praticamente todas as fases de seus ataques cibernéticos e tentativas de extorsão. Campanhas de desinformação direcionadas a nações como Quirguistão, Bangladesh e nações africanas também employaram a tecnologia para manipular a opinião pública.
O cenário se torna ainda mais sombrio com a descoberta de que usuários tentaram utilizar a inteligência artificial para projetar potenciais armas biológicas, incluindo patógenos de doenças e toxinas. A Anthropic afirma ter interrompido essas atividades, mas reconhece que pode não ter identificado todos os casos de uso malicioso.
Em paralelo, as autoridades americanas anunciaram nesta semana a operação mais significativa já realizada contra mercados ilegais na internet. O mercado Xinbi Guarantee, responsável por movimentar mais de 30 bilhões de dólares em transações ilícitas ao longo de quatro anos, teve seus canais no Telegram apreendidos. O marketplace operava principalmente como esquema de lavagem de dinheiro para fraudes com criptomoedas, mas também facilitava tráfico sexual e serviços de assédio remunerado.
O Departamento de Justiça realizou simultaneamente apreensões em 13 complexos de fraude em Madagascar, sinalizando que as forças de segurança ocidentais começam a enfrentar seriamente o problema do trabalho forçado associado a golpes com criptomoedas.
No campo judicial, um membro do grupo de ransomware Conti recebeu nesta semana sentença de quatro anos de prisão nos Estados Unidos. Oleksii Lytvynenko, de 44 anos, fazia parte da quadrilha que chegou a paralisar sistemas governamentais da Costa Rica, provocando estado de emergência no país. O grupo desativou oficialmente suas operações em 2022 após acumular centenas de vítimas.
A Meta enfrentou duras críticas após investigações revelarem que a plataforma Facebook mantinha redes massivas de contas publicando vídeos gerados por inteligência artificial que mostravam violência contra crianças. O veículo Futurism identificou que os conteúdos permaneciam disponíveis mesmo após denúncia, incluindo gravações que mostravam menores sendo queimados, espancados e aprisionados em freezers. A empresa posteriormente removeu o material após contato da imprensa.
Fonte: Feed: All Latest