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Novo presidente do Bluesky defende rede aberta para todos e aposta em futuro descentralizado

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A stylized illustration of Bluesky CEO Toni Schneider — Fonte: The Verge
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Em entrevista recente ao podcast Decoder, Toni Schneider, que assumiu oficialmente o comando da plataforma Bluesky após um período como CEO interino, apresentou sua visão para a empresa: construir não uma bolha ideológica, mas um grande espaço plural dentro da internet.

Schneider não é um desconhecido no universo da web aberta. Ele comandou por anos a Automattic, a empresa por trás do WordPress, e carrega dessa experiência a convicção de que o momento atual das redes sociais se assemelha aos primórdios da internet. Para ele, o sucesso não virá de uma única plataforma dominante, mas de um ecossistema vibrante com múltiplos atores, algo que pode levar uma década para se consolidar.

O Bluesky, segundo o executivo, funciona em duas camadas. A primeira é o aplicativo, conhecido por milhões de pessoas como uma alternativa de microblogging sem anúncios e sem algoritmos invasivos. A segunda, menos visível ao público comum, é o Protocolo AT, a tecnologia subjacente que já sustenta mais de mil aplicativos diferentes.

A mudança na liderança aconteceu de forma gradual. Jay Graber, fundadora do projeto — que nasceu dentro do antigo Twitter e depois se tornou independente —, decidiu se afastar do cargo para se dedicar à área de inovação. Sentia-se atraída pelas possibilidades abertas pela inteligência artificial em conjunto com o protocolo. Conforme relato do próprio Schneider, após cerca de quatro meses à frente da empresa como interino, aceitou tornar-se CEO permanente, ajustando sua atuação na firma de investimentos True Ventures para dedicar-se integralmente ao Bluesky.

A estrutura interna da companhia gira em torno de aproximadamente 50 funcionários remotos, organizados em três equipes principais: a do aplicativo, a voltada ao ecossistema de desenvolvedores chamada de equipe ATmosphere, e a de exploração, comandada pela própria Graber, que trabalha com aplicações de inteligência artificial sobre o protocolo. Recentemente, esse time lançou o Attie, um produto que sobrepõe recursos de IA à rede.

Um dos pontos centrais da entrevista foi a estratégia de moderação. Diferentemente de redes centralizadas, o Bluesky opera um sistema aberto e descentralizado, em que qualquer aplicativo construído sobre o Protocolo AT pode criar suas próprias políticas de moderação e ainda se beneficiar das classificações feitas por outros participantes. O caso mais emblemático é o do Blacksky, projeto criado para atender especificamente usuários negros, com regras próprias, mas integrado à rede maior.

Schneider também revelou que a empresa trabalha na maior atualização do protocolo até agora: a introdução de dados privados. Hoje, tudo no Protocolo AT é público. A nova funcionalidade, em desenvolvimento em colaboração com a comunidade, abrirá caminho para comunidades fechadas, chats em grupo e espaços por assinatura, multiplicando consideravelmente os casos de uso possíveis.

Sobre a tão comentada reputação do Bluesky como uma bolha progressista, o executivo admitiu que a plataforma carrega essa percepção, herdada em parte da onda de migração de usuários que saíram do X após a compra da rede por Elon Musk. No entanto, ele destacou que a base de usuários tem se diversificado, com forte crescimento de comunidades esportivas, e afirmou que o objetivo é continuar expandindo para diferentes públicos. A civilidade no debate e as ferramentas de bloqueio e silenciamento são apostas da empresa para manter um ambiente saudável.

No campo financeiro, Schneider antecipou que a empresa começará a monetizar ainda este ano, mas descartou um modelo baseado exclusivamente em anúncios. A ideia discutida é uma abordagem no estilo de comissão por indicação: se o Bluesky enviar tráfego para um editor que resulte em uma nova assinatura paga, a empresa ficaria com uma porcentagem dessa transação. O executivo foi enfático em rejeitar qualquer aproximação com esquemas de criptomoedas.

Quanto à governança do protocolo, foram anunciados movimentos importantes. O diretório de identidades, peça central do sistema, está sendo transferido para uma organização sem fins lucrativos sediada na Suíça, com conselho independente. Já a especificação técnica do Protocolo AT foi recentemente aceita como linha de trabalho oficial no IETF, o principal órgão de padronização da internet, o que retira o controle exclusivo da empresa.

Sobre o futuro, a meta declarada é ambiciosa: alcançar um bilhão de pessoas na rede descentralizada dentro de uma década, número que daria escala suficiente para que novos aplicativos encontrem audiência sem enfrentar o problema clássico de começar do zero. Schneider também reconheceu as diferenças com o ActivityPub, protocolo usado pelo Mastodon e, de forma limitada, pelo Threads da Meta, e defendeu a coexistência entre os dois padrões, já que eles atendem a casos de uso distintos.

Fonte: The Verge

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