O conhecido colunista de fofocas Perez Hilton, cujo nome de batismo é Mario Lavandeira Jr., foi internado na noite de terça-feira após protagonizar uma transmissão ao vivo na plataforma TikTok em que apareceu nu, coberto por um líquido vermelho semelhante a sangue e segurando um objeto com aparência de faca.
A live, que segundo o TikTok durou cerca de quinze minutos, gerou grande preocupação entre os espectadores, que imediatamente acionaram a polícia. O episódio também levantou questionamentos sobre a demora da plataforma para retirar o conteúdo do ar.
Em comunicado enviado à reportagem, a porta-voz do TikTok, Jamie Favazza, afirmou que os sistemas automatizados de moderação da rede social sinalizaram a transmissão poucos minutos após o seu início, mas um "erro de moderação" provocou atraso tanto na remoção do vídeo quanto no bloqueio da conta. A representante também informou que o TikTok entrou em contato com as autoridades pouco depois de a live ter sido sinalizada.
A plataforma não respondeu a perguntas adicionais sobre a natureza desse erro nem sobre exatamente por quanto tempo ele atrasou a retirada da transmissão.
Segundo a detetive Samantha Choon, do escritório do xerife do condado de Miami-Dade, a corporação recebeu "diversas ligações relatando um indivíduo transmitindo atos de autoflagelo em uma rede social", o que resultou no envio de uma equipe de resposta a crises e de profissionais de saúde mental à residência do colunista. Um responsável pela comunicação do escritório do xerife confirmou separadamente, por telefone, que se tratava de Lavandeira.
As diretrizes oficiais de conteúdo do TikTok proíbem "conteúdos que mostrem, promovam ou ofereçam instruções sobre suicídio ou autoflagelo", além de "conteúdos gráficos, violentos ou perturbadores". A empresa afirma utilizar uma "combinação" de sistemas automatizados e moderação humana para identificar esse tipo de material. Em janeiro, a companhia passou por uma reestruturação societária, com a criação de um novo empreendimento conjunto responsável pela moderação de conteúdo e pela segurança de dados nos Estados Unidos.
Mesmo assim, após a notícia da internação de Lavandeira, muitos usuários questionaram nas redes sociais por que a plataforma manteve a live disponível por tempo suficiente para que milhares de pessoas assistissem. Alguns chegaram a estimar que o vídeo ficou no ar por mais de trinta minutos antes do bloqueio da conta. Favazza negou essa versão, afirmando que a transmissão ficou ativa por "metade" desse tempo e que as lives seguintes de Perez foram encerradas em até noventa segundos.
Este não é o primeiro caso em que o TikTok, assim como outras plataformas de transmissão ao vivo, é acusado de não moderar adequadamente conteúdos envolvendo suicídio ou autoflagelo. Em 2020, o veículo de imprensa The Intercept revelou que um jovem brasileiro havia transmitido a própria morte pela plataforma. Ainda naquele ano, o TikTok enfrentou dificuldades para remover clipes gráficos dos últimos momentos de Ronnie McNutt, que viralizou após tirar a própria vida em uma transmissão no Facebook.
Procurado pela reportagem, Dante Rusciolelli, empresário e representante de Lavandeira, além de diretor-presidente da Golden Artists Entertainment, declarou que a equipe do colunista "não está em posição de comentar as políticas internas do TikTok, decisões de moderação ou a comunicação da empresa com as autoridades".
"Nosso foco continua sendo inteiramente a saúde e o bem-estar do Perez", acrescentou Rusciolelli por e-mail. "Agradecemos a preocupação em torno desta situação e pedimos respeitosamente que sua privacidade seja preservada enquanto ele recebe os cuidados e o apoio de que necessita."
Reportagem adicional de Manisha Krishnan.
Se você ou alguém que conhece está lidando com pensamentos de autoflagelo ou suicídio, ligue para a Central de Prevenção ao Suicídio no número 988.
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