Ao iniciar meus testes com os fones de ouvido mais caros já fabricados pela Sony para o mercado consumidor, esperava encontrar uma experiência premium. O que realmente surpreendeu foi descobrir o melhor áudio espacial que já experimentei em toda minha trajetória como revisor de tecnologia. Faço essa afirmação sendo uma pessoa que normalmente fica decepcionada com recursos de áudio espacial, frequentemente achando que a música perde equilíbrio ao tentar simular uma apresentação ao vivo.
O preço de lançamento é um ponto que merece atenção: 649,99 dólares. Esse valor coloca os Collexion quase 200 dólares acima do modelo WH-1000XM6, seu antecessor direto. O motivo para essa diferença está na celebração dos 10 anos da linha 1000X, explicanda pelo nome diferenciado. A marca realmente entrega em algumas características importantes, porém a experiência justifica-se principalmente para um público seleto que prioriza qualidade de som e aparência acima de qualquer outro aspecto.
Entre os pontos positivos, a qualidade de áudio impressiona: são os fones com melhor sound que a Sony já produziu. A tecnologia de áudio espacial com 360 Upmix realmente destaca essa excelência. A ausência do plástico rígido comum nos outros modelos Sony confere um visual mais elegante e luxuoso, enquanto o uso é confortável e aconchegante. O sistema de cancelamento de ruído também se mantém competente.
Como aspectos negativos, as elegantes articulações de metal significam que as conchas das orelhas não dobram mais. Essa característica era uma das funcionalidades preferidas nos fones XM6 e sua remoção prejudica o transporte. O ajuste mais folgado também reduz o isolamento passivo de ruído, fazendo com que modelos anteriores se saiam melhores nesse quesito. Além disso, a diferença de 190 dólares entre os modelos XM6 e Collexion poderia sugerir melhorias em todas as áreas da experiência do usuário, mas além do som e design aprimorados, outros recursos permaneceram praticamente inalterados.
Em termos de especificações técnicas, os fones trazem drivers personalizados de 30mm, áudio espacial, cancelamento ativo de ruído com processadores V3 e QN3, bateria com 24 horas de duração, 12 microfones, conexão Bluetooth 5.3, entrada USB-C e conector de 3,5mm, tudo em um peso de 320 gramas. Estão disponíveis nas cores preta e platinum.
No quesito qualidade de som, como esperado de um produto Sony, o desempenho é excelente. O verdadeiro destaque fica por conta do áudio espacial. A tecnologia 360 Upmix fez com que álbuns inteiros soassem como apresentações ao vivo e imersivas, algo que nunca havia experimentado com essa tecnologia. Pela primeira vez, preferi manter o áudio espacial ativado durante os testes.
Sobre o cancelamento de ruído, a equipe da Sony deixou claro que priorizou o conforto em detrimento dessa função. Embora utilizem a mesma tecnologia dos fones XM6, o encaixe mais solto reduz a capacidade de isolamento passivo. Na prática, trabalhar em cafeterias tornou-se um pouco mais distrativo, com conversas e músicas de fundo reduzidas a um murmúrio baixo em vez de completo isolamento.
O design e construção impressionam à primeira vista, com detalhes em metal e revestimento em couro sintético substituindo o invólucro de plástico rígido característico da linha. Os fones transmitem durabilidade, porém pelo valor cobrado, esperava-se mais funcionalidades práticas. Os botões de metal são um belo detalhe e a faixa de cabeça mais larga aumenta o conforto, porém a ausência de conchas dobráveis prejudica a portabilidade. O conforto não superou os fones Bose QC Ultra 2, considerados os mais confortáveis já testados.
Para quem são indicados esses fones? Os Sony Collexion possuem um nome peculiar, design bonito que nem sempre corresponde em funcionalidades práticas, e a melhor qualidade de som já encontrada em fones de ouvido. São verdadeiramente os primeiros a finalmente desbloquear um áudio espacial inegavelmente bom. O preço elevado dificulta a aquisição para a maioria, mas para quem busca a melhor experiência em áudio espacial com som live, esse investimento proporciona a versão definitiva dessa tecnologia.
Fonte: Mashable

