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Induzir hibernação em ratos elimina mais da metade das sinapses, mas memórias permanecem

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Fonte: Ars Technica
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A teoria mais aceita sobre como armazenamos lembranças sugere que, ao aprender algo, as conexões entre os neurônios envolvidos se fortalecem e aumentam fisicamente, formando a base da memória. O problema é que essas conexões são altamente plásticas e se reorganizam continuamente. "Se compararmos a disposição dessas conexões no primeiro dia com a do quarto ou quinto dia, elas são muito diferentes", observa Kazumasa Tanaka, neurocientista do Instituto de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia de Okinawa, no Japão.

Para investigar como uma memória que pode durar anos consegue se manter sobre um substrato que se renova a cada poucos dias, Tanaka e sua equipe tornaram essa reorganização ainda mais drástica. Em um estudo recente publicado na prestigiada revista de divulgação científica, os pesquisadores induziram um estado semelhante à hibernação em camundongos, o que resultou na eliminação de mais da metade de todas as sinapses dos animais. Surpreendentemente, os roedores continuaram a demonstrar que lembravam das tarefas aprendidas antes do procedimento.

A capacidade de entrar em hibernação é típica de esquilos, hamsters e ursos, mas o circuito neural que a desencadeia está conservado em todos os mamíferos, incluindo espécies que nunca hibernam naturalmente, como os camundongos. Em junho de 2020, uma equipe liderada pelo neurocientista Takeshi Sakurai, da Universidade de Tsukuba e colaborador do estudo de Tanaka, conseguiu ativar artificialmente esse circuito. O método consiste na estimulação de um grupo de neurônios chamados neurônios Q, localizados em uma região do hipotálamo, induzindo um estado de hibernação mesmo em animais que normalmente não entram nesse modo.

Os resultados desafiam a visão simplista de que memórias dependem exclusivamente da integridade estrutural das sinapses. A descoberta sugere que a informação pode estar codificada de forma mais robusta, possivelmente em redes neurais mais amplas ou em mecanismos moleculares que resistem a perdas massivas de conexões. Esse avanço abre novas perspectivas para o entendimento da consolidação da memória e pode ter implicações em pesquisas sobre doenças neurodegenerativas, nas quais a perda sináptica é um dos principais marcadores.

Além disso, a possibilidade de induzir hibernação sob demanda oferece ferramentas para estudos futuros sobre plasticidade neural, proteção cerebral em condições de isquemia e até mesmo para missões espaciais de longa duração, onde estados metabólicos reduzidos poderiam ser explorados.

Fonte: Ars Technica

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