Restos mortais mumificados, sejam humanos ou de animais, continuam despertando grande interesse entre colecionadores ao redor do mundo. A demanda por essas peças é tão elevada que sua aquisição frequentemente envolve práticas comerciais não regulamentadas, podendo incluir negociações sigilosas ou até mesmo ilegais. Segundo pesquisadores que publicaram um estudo na Revista Internacional de Propriedade Cultural, os riscos para quem deseja adquirir essas peças vão muito além das questões legais.
De acordo com os autores do estudo, os restos mumificados representam um sério perigo à saúde. Isso ocorre porque o processo de mumificação, praticado ao longo de séculos, utilizou diversas substâncias tóxicas para preservar os corpos. Entre esses materiais estão metais pesados como arsênio, mercúrio e chumbo. Por isso, profissionais que manuseiam essas peças adotam medidas rigorosas de segurança, incluindo máscaras, luvas e jalecos especiais.
Além das substâncias químicas empregadas na preservação, microorganismos como bactérias, fungos e leveduras podem permanecer dormentes nos tecidos por séculos. Esses organismos podem voltar a se multiplicar quando encontram condições favoráveis, especialmente se os restos forem armazenados em ambientes inadequados. Um caso registrado em 1962 revelou a presença de esporos de fungos venenosos em restos mumificados, capazes de causar inflamações respiratórias, infecções e febre quando inalados.
Pesquisas mais recentes confirmam essa preocupação. Um estudo realizado em 2013 analisou as centenas de múmias expostas nas Catacumbas dos Capuchinhos em Palermo, na Sicília, e constatou que elas são propensas ao crescimento de microrganismos e fungos após anos de condições ambientais instáveis. Da mesma forma, em 2012, cientistas identificaram três espécies de fungos potencialmente perigosos em restos humanos, caixões, paredes e no ar das criptas da Igreja de São Pedro e Paulo em Cracóvia, na Polônia. Curiosamente, os esporos tóxicos frequentemente associados à lendária "maldição da múmia", relacionada à escavação do túmulo do faraó Tutancâmon, podem ter uma base científica real.
Fonte: Ars Technica

