Na segunda-feira, um telegrama chegou a Singapura vindo da cidade de Batavia, nas Índias Orientais Holandesas, atualmente Jacarta, na Indonésia. A mensagem relatava: "Detonações terríveis vindas do Krakatau", uma ilha vulcânica. Em seguida, novos relatos descreviam pedras caindo e uma vila próxima a Anjer sendo arrastada pela água. Os fios telegráficos não paravam de transmitir notícias sobre pontes destruídas, embarcações despedaçadas e faróis que simplesmente "desapareceram". Na terça-feira ao meio-dia, a dimensão da catástrofe natural já estava clara: "Onde antes se erguia o Monte Krakatau, agora o mar domina".
Em poucos dias, a origem da destruição era conhecida em todo o planeta. Na manhã de 27 de agosto de 1883, uma erupção vulcânica reduziu a ruínas duas ilhas no estreito entre Java e Sumatra, além de grande parte de uma terceira. Mais de 36 mil pessoas perderam a vida, a maioria vitimada por tsunamis devastadores que se espalharam a partir da colossal explosão.
Graças às telecomunicações da era vitoriana, foi a primeira vez na história que pessoas ao redor do globo puderam documentar, em tempo quase real, os efeitos imediatos e de longo prazo de uma erupção vulcânica catastrófica. O que os cientistas e observadores aprenderam nos anos seguintes estabeleceu as bases para a vulcanologia moderna. E foi uma lição particularmente reveladora sobre como as maiores erupções podem influenciar o clima, a agricultura e até mesmo o rumo da história da humanidade.
Fonte: Ars Technica

