O criador de mundos como a Terra-média, J.R.R. Tolkien, não apreciava ser alvo de holofotes acadêmicos, apesar de sua obra ter se tornado referência universal na literatura fantástica. Durante anos, o autor recebeu inúmeras mensagens de admiradores e estudiosos interested em detalhes sobre sua vida pessoal e os bastidores de suas criações. Embora nem sempre respondesse a tais solicitaitações, uma doutoranda da Universidade de Wisconsin acabou recebendo uma carta memorável do escritor.
Deborah Webster, alumna de um programa de pós-graduação, estava elaborando sua tese sobre a obra tolkieniana quando enviou uma solicitação ao autor pedindo que ele falasse um pouco sobre si mesmo. A reação inicial do escritor não foi das mais animadoras. Em sua resposta, Tolkien explicou que detestava fornecer informações biográficas, argumentando que tais detalhes apenas desviavam a atenção das próprias obras e alimentavam uma tendência contemporânea da crítica de focar excessivamente na vida dos criadores.
Após criticar essa prática presente entre jornalistas, escritores e analistas literários, Tolkien finalmente cedeu aos pedidos da jovem estudiosa. O autor revelou ser, em praticamente todos os aspectos, um Hobbit. Ele explicou que apreciava jardins, árvores e campos cultivados de forma tradicional, fumava cachimbo regularmente e valorizava refeições simples e bem preparadas, rejeitando completamente a culinária francesa. O escritor também confessou seu gosto por coletes ornamentados, cogumelos colhidos diretamente no campo e um senso de humor que considerava despretensioso.
Em relação à geografia e idiomas, Tolkien manifestou profunda admiração pelo País de Gales e pela língua galesa, embora confessasse não visitar a região há bastante tempo. Por outro lado, o autor afirmava viajar frequentemente à Irlanda, país pelo qual nutria grande carinho, apesar de considerar a língua irlandesa pouco interessante. O escritor também revelou preferir o idioma espanhol ao italiano e se definir como cristão.
Quanto a Deborah Webster, sua pesquisa deu frutos concretos. Em 1972, ela completou seu doutorado com a dissertaçãointitulada "Os Personagens Fingidos de C.S. Lewis e J.R.R. Tolkien". Posteriormente, em 1982, a carta escrita por Tolkien foi incluída como apêndice na obra "J.R.R. Tolkien: Uma Biografia Crítica", tornando-se um documento precioso para estudiosos e admiradores do autor responsável por clássicos como O Hobbit e O Senhor dos Anéis.
Fonte: IGN Brasil

