A empresa de tecnologia Amazonas está sendo alvo de uma ação judicial sem precedentes, movida conjuntamente pela Comissão Federal de Comércio e por 22 estados dos Estados Unidos. As autoridades alegam que a companhia manteve, durante mais de sete anos, um sistema oculto de cobrança adicional sobre anúncios pagos em sua plataforma de comércio eletrônico.
O processo, protocolado na segunda-feira, sustenta que a Amazonas manipulou os preços cobrados de anunciantes em seus leilões de publicidade digital. De acordo com a acusação, a empresa comercializa diferentes formatos de anúncios, incluindo produtos patrocinados, marcas patrocinadas e anúncios em tela, que aparecem junto aos resultados de busca dos consumidores.
A Comissão Federal de Comércio afirma que a companhia informou a mais de 500 mil pequenas e médias empresas que utilizava um modelo de inúmeração conhecido como "segundo preço", no qual o anunciante vencedor pagaria apenas um centavo acima do segundo maior lance. Essa metodologia era apresentada como vantajosa para os anunciantes, pois os incentivava a fazer lances mais altos, acreditando que seus custos reais seriam controlados pelo sistema.
No entanto, a partir de 2019, a Amazonas teria implementado uma modificação sigilosa, segundo a acusação. A empresa adicionou uma cobrança oculta denominada internamente de "preço de reserva flexível" e utilizou o que um documento interno chamou de "participante fictício do leilão" para elevar artificialmente os valores cobrados. Esse mecanismo, descrito como uma prática de lance falso, fazia os preços subirem sem que houvesse competição real entre anunciantes.
Como resultado dessa suposta manipulação, a Comissão Federal de Comércio alega que a Amazonas passou a cobrar dos anunciantes o valor completo de seu próprio lance em aproximadamente 80% das transações. Isso transformaria, na prática, o que era anunciado como um leilão de segundo preço em um sistema de primeiro preço, prejudicando diretamente os anunciantes.
Os estados que participam do processo judicial são Alasca, Arizona, Califórnia, Colorado, Flórida, Idaho, Illinois, Indiana, Iowa, Kentucky, Louisiana, Maryland, Nebraska, Nova Jérsia, Nova York, Carolina do Norte, Oklahoma, Pensilvânia, Rhode Island, Carolina do Sul, Vermont e Washington.
A empresa gerou mais de 68 bilhões de dólares em receita publicitária no último ano. Em resposta às acusações, a Amazonas publicou uma nota na qual classificou o processo como "equivocado", argumentando que a queixa "compreende fundamentalmente mal como os anunciantes funcionam". A companhia defendeu que seus leilões avaliam bilhões de lances em diferentes posicionamentos e formatos, fazendo com que os preços variem naturalmente, e que os anunciantes são "devidamente" informados sobre o sistema de preços.
Fonte: TechCrunch

