A Comissão Federal de Comunicações, órgão regulador de telecomunicações dos Estados Unidos, anunciou nesta semana a flexibilização de suas regras sobre participação estrangeira em empresas de mídia americanas. A decisão permite que três fundos soberanos controlados por governos do Oriente Médio adquiram uma fatia de 49,5 por cento da gigante cinematográfica Paramount, pertencente ao conglomerado Warner Bros.
Os fundos envolvidos pertencem à Arábia Saudita, ao Catar e a Abu Dhabi, representando governos frequentemente criticados por organizações de direitos humanos devido a restrições à liberdade de expressão e imprensa em seus respectivos países. A legislação anterior limitava a participação estrangeira a 25 por cento em empresas que operam broadcast nos Estados Unidos.
Durante a gestão de Brendan Carr como presidente da FCC, o órgão adotou uma postura rígida contra emissoras americanas. A comissão ameaçou repetidamente a rede de televisão ABC, tentou impedir estações de transmitir entrevistas com políticos do Partido Democrata, censurou apresentadores de programas noturnos e pressionou jornalistas. Paradoxalmente, não demonstrou as mesmas preocupações quando se trata de investimentos de governos repressivos em grandes conglomerados de mídia do país.
Na decisão que autoriza a operação, a FCC defendeu que os fundos soberanos não terão influência operacional direta sobre o conteúdo da programação. No entanto, críticos apontam para o histórico duplo do órgão regulador, que age com rigor contra a imprensa americana enquanto abre portas para interesses estrangeiros pouco transparentes.
Fonte: The Verge