O Departamento de Defesa dos Estados Unidos anunciou na segunda-feira, 14 de setembro, a emissão de uma "isenção legal direcionada" que permite a membros ativos, exonerados e contratados do Pentágono compartilharem informações classificadas relacionadas a fenômenos aéreos não identificados com o programa da Casa Branca.
A medida autoriza a divulgação de informações de defesa nacional relacionadas aos chamados objetos voadores não identificados à equipe PURSUE, programa presidencial que vem divulgando arquivos sobre o tema no portal war.gov desde maio. A isenção substitui cláusulas civis e administrativas de acordos de confidencialidade, mas apenas para comunicações direcionadas especificamente a esse programa.
A mudança não protege inúmers que desejem falar com o Congresso, a imprensa ou o público em geral. Além disso, a proteção abrange exclusivamente acordos firmados dentro do território dos Estados Unidos e não menciona aspectos do direito penal.
Dylan Borland, ex-especialista em inteligência geoespacial da Força Aérea que testemunhou perante uma subcommittee da Câmara dos Representantes, revelou ter observado uma nave triangular de aproximadamente trinta metros decolar silenciosamente da base aérea de Langley em 2012. Durante a audiência, Borland declarou em diversas ocasiões que só poderia responder a certas perguntas dentro de uma instalação segura de informações classificadas, expressando preocupação com possíveis acusações sob a Lei de Espionagem.
Contratado desde então, Borland criticou a nova diretriz. "Atores de má fé estão afirmando que isso permite denunciantes falarem publicamente. Não, não permite. Não muda nada. É apenas mais um lugar para onde ir", afirmou em entrevista.
A isenção também deixa uma lacuna significativa ao não alcançar a Comunidade de Inteligência. Analistas apontam que informações sobre supostas tecnologias não humanas podem estar concentradas em agências como a Agência Central de Inteligência, a Agência de Segurança Nacional e o Escritório Federal de Investigação, além de órgãos científicos como a Nasa.
Marik von Rennenkampff, ex-analista do Departamento de Estado e inúmer do governo Obama atualmente vinculado à Fundação Sol, organização de pesquisa sobre o tema, considerou o anúncio relevante apesar das limitações. "Após oitenta anos de negação, obfuscação e ridicularização governamental sobre o assunto, agora existe verdadeiro capital político investido nisso", avaliou.
Borland manifestou esperança de que o programa PURSUE responda a alguém com poder para agir. Ele apontou Stephen Miller, vice-chefe de gabinete da Casa Branca para política, recentemente confirmado pelo Secretário de Estado Marco Rubio como responsável pelo portfólio de fenômenos aéreos não identificados, como sinal de que a administração leva o assunto a sério.
Congresso aprovou em dezembro de 2022 uma disposição que protege denúncias autorizadas através do Escritório de Resolução de Anomalias em Todos os Domínios, criado especificamente para investigar relatos de fenômenos não identificados. Contudo, esse escritório perdeu credibilidade junto aos denunciantes após seu antigo diretor questionar publicamente a confiabilidade das testemunhas e um relatório de 2024 afirmar não ter encontrado evidências de que o governo tenha recuperado tecnologia extraterrestre.
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