Em meados da década de 2010, as TVs 3D dominaram as vitrines de lojas de eletrônicos ao redor do mundo. Os fabricantes apostaram pesado na tecnologia após o sucesso estrondoso de produções cinematográficas como Avatar e Como Treinar Seu Dragão. Porém, em poucos anos, o recurso havia praticamente desaparecido dos lares consumidores.
O principal obstáculo para a adoção em massa era a complexidade de uso. Os espectadores precisavam adquirir óculos especiais, cujo preço variava entre 50 e 250 reais dependendo do modelo. Além disso, era necessário possuir um leitor de Blu-ray compatível com o formato e pagar um valor adicional pelos discos de filmes em três dimensões. Para piorar, os óculos passivos reduziam pela metade a resolução das imagens em 1080p, comprometendo a qualidade visual.
A experiência também se mostrava frustrante para quem desejava reunir amigos e familiares. Cada pessoa precisava ter seus próprios óculos, tornando inviáveis sessões coletivas sem investimentos significativos. A distância de visualização também influenciava diretamente no resultado: quem assistia de longe em TVs de 42 ou 50 polegadas mal conseguia perceber o efeito de imersão.
Do lado da produção cinematográfica, a indústria de Hollywood contribuiu para o fracasso. Após o entusiasmo inicial com Avatar, os estúdios passaram a converter filmes comuns para o formato 3D simplesmente para cobrar preços mais altos nos cinemas. Produções como Alice no País das Maravilhas e Clash of the Titans exemplificam essa prática, resultando em obras com qualidade visual questionável.
"Desiludimos nosso público diversas vezes, e por isso existe agora uma desconfiança genuína", declarou Jeffrey Katzenberg, produtor de Hollywood, em 2011. "É heartbreaking presenciar o que poderia ter sido a maior oportunidade para o cinema em mais de uma década sendo prejudicada."
Dados de um estudo recente revelam que apenas 25% dos lares que possuíam TVs 3D efetivamente utilizaram a tecnologia no período entre 2010 e 2018. Entre os motivos para o abandono, 65% dos usuários citaram a falta de conteúdo disponível, 50% relataram desconforto em sessões prolongadas e 42% desistiram devido aos altos custos dos equipamentos.
Quando as TVs 4K com HDR chegaram ao mercado, oferecendo benefícios visuais imediatos sem necessidade de acessórios extras, a transição foi natural. Não havia necessidade de óculos, leitores especiais ou busca por conteúdo específico. A conveniência venceu a inovação.
Atualmente, as opções para assistir filmes em 3D são limitadas e caras. Projetores modernos como o BenQ e o XGIMI Titan Noir Max (que custa cerca de 30 mil reais) suportam o formato. O headset Apple Vision Pro também oferece essa experiência, mas seu preço gira em torno de 18 mil reais. A tecnologia de realidade virtual, como os dispositivos Meta Quest, conseguem reproduzir vídeos em 3D estereoscópico.
Especialistas preveem um crescimento de 15% no mercado de TVs 3D até 2036, impulsionado pelo desenvolvimento de telas sem óculos e aplicações comerciais. Contudo, até que a tecnologia permita múltiplos espectadores sem necessidade de acessórios, o formato pode continuar restrito a nichos específicos.
