A maior criptomoeda do mundo, o Bitcoin, voltou a ser negociada abaixo da marca dos US$ 60.000 nesta quarta-feira, marcando seu pior desempenho desde outubro de 2024. O ativo digital havia testado esse suporte no início do mês, chegou a subir para aproximadamente US$ 67.250 nos dias seguintes, mas voltou a registrar quedas expressivas.
De acordo com dados do TradingView, o Bitcoin enfrenta sua fase mais desafiadora desde o período que antecedeu a última eleição presidencial americana. O cenário adverso ganhou força após novos fatores entrarem em cena: embora o acordo entre Estados Unidos e Irã tenha inicialmente favorecido a criptomoeda ao reduzir os preços do petróleo, as declarações do novo presidente do Federal Reserve indicando uma política monetária mais restritiva fizeram o Bitcoin despencar para a faixa dos US$ 62.500 na semana passada.
A situação se agravou na terça-feira, quando as ações de grandes empresas de tecnologia registraram quedas significativas, arrastando novamente a principais criptomoedas para baixo. As perdas se estenderam nesta quarta-feira, resultando em uma avalanche de liquidações no mercado de futuros. Segundo dados da CoinGlass, impressionantes 166.904 traders foram liquidados nas últimas 24 horas, totalizando US$ 845,64 milhões em liquidações. A maior ordem individual ocorreu na Binance, no par BTC/USDT, com o valor de US$ 12,01 milhões.
O Ethereum não ficou atrás e acumulou perdas de 5,4% no mesmo período, aproximando-se novamente do suporte dos US$ 1.500. Nesta semana, a Ethereum Foundation realizou uma reestruturação interna, demitando 20% de seus funcionários. Por outro lado, um grupo independente lançou a organização Ethlabs para apoiar o desenvolvimento do projeto.
O panorama entre as principais criptomoedas foi majoritariamente negativo. O BNB registrou queda de 4%, enquanto o XRP desvalorizou 3,8% e o Solana despencou 5,2%. Entre as 100 maiores moedas digitais do mercado, apenas Morpho e Aave encerraram no azul, com ganhos de 2,7% e 2,5%, respectivamente.
Os especialistas apontam múltiplos fatores para explicar a queda sustentada do Bitcoin. O ativo digital opera em tendência de baixa desde a maior liquidação da história do mercado de criptomoedas, ocorrida em 10 de outubro de 2025. A disparada dos preços do petróleo impulsionou a inflação global, levando bancos centrais a apertarem suas políticas monetárias e reduzindo o apetite por investimentos de risco.
Para analistas como Michael Saylor e a gigante BlackRock, outro elemento crucial é o forte desempenho do setor de Inteligência Artificial. Investidores estão preferindo empresas expostas a essa indústria em crescimento, deixando outros ativos de lado. Por coincidência, ou não, o fraco desempenho do Bitcoin nos últimos meses também se alinha com o tradicional ciclo de quatro anos da criptomoeda.
Fonte: Livecoins
