O Bitcoin iniciou a semana em terreno positivo. Após registrar queda no fim de semana e ameaçar perder o patamar de US$ 76 mil, a principal criptomoeda do mundo voltou a subir nesta segunda-feira (25), beneficiando-se de um ambiente de maior otimismo no cenário geopolítico internacional. A expectativa de um acordo entre Estados Unidos e Irã, que poderia resultar na reabertura do Estreito de Ormuz, impulsionou os mercados globais e alterou o humor dos investidores em ativos de risco.
Desempenho das principais criptomoedas
Na manhã de segunda-feira, o Bitcoin apresentava alta de 0,8%, sendo negociado a US$ 77.507 em um período de 24 horas. Convertido para a moeda brasileira, a maior criptomoeda do mundo estava cotada a R$ 389.685, conforme dados do Portal do Bitcoin. Enquanto isso, o Ethereum registering pequena queda de 0,1%, sendo transacionado a US$ 2.116. O XRP recuou 0,4%, assim como a Solana, enquanto a BNB teve avanço de 0,4% no mesmo período.
Avanços nas negociações entre EUA e Irã
O otimismo dos mercados está diretamente ligado às recentes sinalizações de progresso nas negociações entre Washington e Teerã. Na semana passada, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã anunciou ter autorizado a passagem de mais de 20 petroleiros pelo Estreito de Ormuz. Embora o volume permaneça significativamente abaixo dos níveis registrados antes do conflito, a medida representa um gesto de abertura que reacendeu a esperança de uma solução diplomática.
Declarações do secretary de Estado americano
O secretary de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que os negociadores americanos e iranianos apresentam "uma proposta bastante sólida" e que um acordo para encerrar a guerra entre os dois países pode ser alcançado em breve. Rubio declarou que os Estados Unidos estão preparados para esgotar todas as opções diplomáticas disponíveis, mas advertiu que buscarão outros meios caso um bom acordo não seja concretizado.
Queda do petróleo e enfraquecimento do dólar
A perspectiva de uma trégua entre EUA e Irã provocou forte queda nos preços do petróleo nesta segunda-feira. O Brent recuou mais de 5%, sendo negociado em torno de US$ 98,83. O movimento reflete a expectativa de que a reabertura do Estreito de Ormuz normalize o fluxo de petróleo na região, aliviando as preocupações com possíveis interrupções no fornecimento global.
Paralelamente, o dólar perdeu força conforme investidores abandonavam ativos defensivos em busca de maior rentabilidade. A combinação de petróleo em queda e dólar mais fraco cria um ambiente favorável para ativos de risco, incluindo criptomoedas, ao reduzir parte da pressão inflacionária que vinha sustentando rendimentos elevados e uma postura mais dura por parte do Federal Reserve.
Perspectivas para o Bitcoin
André Franco, CEO da Boost Research, avaliou que o alívio nos mercados pode ajudar o Bitcoin a tentar recuperar a região de US$ 78 mil. "A queda do petróleo e do dólar melhora o ambiente para ativos de risco, reduzindo parte da pressão inflacionária que vinha sustentando yields elevados e uma postura mais dura do Fed. Esse alívio pode ajudar o BTC a tentar recuperar a região de US$ 78.000, especialmente se as bolsas mantiverem o tom positivo ao longo do dia", explicou.
Fluxo de ETFs permanece em destaque
Apesar do otimismo geopolítico, os analistas mantêm cautela e monitoram de perto o fluxo de recursos para os ETFs de Bitcoin à vista como indicador fundamental para entender uma reversão de preço consistente. Nas últimas duas semanas, os fundos registraram mais de US$ 2 bilhões em saídas, o que representa um desafio para a sustentabilidade da recuperação.
Timothy Misir, chefe de pesquisa da BRN, inúmerou que o sinal crucial para o mercado de criptomoedas está na redução das saídas dos ETFs. "O Bitcoin pode absorver parte das vendas institucionais se a liquidez das stablecoins permanecer firme e os investidores de longo prazo mantiverem a paciência. Resgates sustentados de ETFs tornariam cada alta mais difícil de sustentar", concluiu.