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Charlie Kirk foi morto há um ano e as teorias da conspiração se espalham sem controle

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No dia em que o ativista conservador e co-fundador da Turning Point, Charlie Kirk, foi assassinado, a internet se transformou em um caos. Vídeos gráficos do momento do ataque se espalharam em poucos minutos pelas redes sociais. Figuras da extrema direita fizeram chamados pela violência e vingança, enquanto parlamentares e influenciadores de direita exigiram que qualquer pessoa que comemorasse fosse punida. Foi quando as teorias da conspiração passaram a surgir de forma desenfreada.

Já se passou um ano desde a morte de Kirk, e as teorias sobre o assassinato continuam a circular com força total, impulsionadas pelos algoritmos das redes sociais e por influenciadores conservadores como Candace Owens, que utilizou sua enorme base de seguidores para disseminar alegações sem fundamento sobre o caso.

Especialistas acreditam que essas teorias conspiratórias vão persistir por muito tempo. "Não há motivos para acreditar que as teorias sobre o assassinato de Kirk vão perder força tão cedo", declarou Jared Holt, pesquisador-chefe da Open Measures, em entrevista a esta publicação. "Na verdade, espero que elas se intensifiquem ainda mais à medida que o julgamento criminal de Tyler Robinson, o homem acusado de matar Kirk, aconteça nos próximos meses. O julgamento certamente vai atrair grande atenção da mídia e vai oferecer aos teóricos da conspiração um novo material para explorar."

Nos dias que se seguiram à morte de Kirk, alguns teóricos da conspiração chegaram a afirmar que o assassinato foi uma operação de falsa bandeira, planejada para desviar a atenção das conexões do presidente Donald Trump com Jeffrey Epstein. Outros disseram que tudo não passava de uma encenação. Houve quem espalhasse teorias sobre armas movidas por inteligência artificial, quem afirmasse que o atirador era um apoiador de Kirk, e até mesmo boatos de que Kirk ainda estava vivo.

No entanto, a alegação sem fundamento que acabou predominando foi a de que alguém próximo a Kirk, ou agindo em nome de Israel, seria o verdadeiro responsável pela morte dele, e que Robinson seria apenas um bode expiatório. A verdadeira versão dos fatos, segundo essa teoria absurda, seria que o que matou Kirk foi um microfone explosivo. Esse é o enredo central da campanha de teorias conspiratórias que Candace Owens manteve durante meses. O conteúdo de Owens sobre Kirk acumulou centenas de milhões de visualizações.

O sucesso de Owens é alimentado em grande parte pela forma como as plataformas de mídia social incentivam seus usuários a publicar conteúdo atualmente. "As redes sociais estão repletas de especulações sobre a morte de Kirk, onde ainda é possível recrutar novos públicos e monetizá-los", explicou Joan Donovan, professora assistente de jornalismo e estudos de mídias emergentes da Universidade de Boston, à publicação.

O resultado é que a morte de Kirk se tornou mais uma toca de coelho, uma forma de os espectadores se distraírem da realidade. "Candace e outros influenciadores conspiratórios tornam as coisas muito mais misteriosas e empolgantes", afirmou Renée DiResta, professora associada de pesquisa na Universidade de Georgetown que acompanha a desinformação. "Para muitos, as explicações dela são preferíveis à realidade de um ato de violência cometido por um indivíduo sozinho."

Já houveram consequências concretas no mundo real: Pesquisadores do Network Contagion Research Institute descobriram recentemente que "Candace Owens causou um aumento mensurável e estatisticamente significativo em ameaças de morte e apelos à violência contra Erika Kirk, esposa de Charlie Kirk". Em maio, um homem foi preso sob suspeita de ameaçar matar Erica Kirk antes de sua participação em um evento da Turning Point USA em San Antonio, embora o homem ainda não tenha sido acusado. Owens não respondeu aos pedidos de comentário.

Erica Kirk e a Turning Point repetidamente fizeram apelos para que Owens e outros parassem de espalhar rumores infundados sobre o assassinato. Embora esses apelos não tenham sido atendidos, a Turning Point acredita que o impacto das teorias conspiratórias está diminuindo.

"As teorias da conspiração têm muito menos alcance e potência agora do que tinham há seis meses, e acho que vou dizer o mesmo daqui a mais seis meses", afirmou Andrew Kolvet, porta-voz da Turning Point. "Elas não vão parar porque muitas dessas personalidades eram completamente desconhecidas e não tinham relevância antes de Charlie ser morto, e esta é a fonte de renda deles, mas a influência e a credibilidade deles entraram em colapso e vão continuar assim."

Porém, alguns especialistas discordam, argumentando que o pensamento conspiratório é um aspecto da vida americana há décadas. "Historicamente, isso é bastante normal", comentou Joseph Uscinski, professor de ciência política da Universidade de Miami e autor de "American Conspiracy Theories". "Maiorias de americanos acreditam há décadas que JFK foi morto por uma conspiração e não por um atirador solitário. Na verdade, quase 80 por cento dos americanos acreditavam nos anos 1970 que havia uma conspiração por trás do assassinato."

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