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Copa do Mundo 2026: a matemática por trás das previsões dos supercomputadores que acertaram as semifinalistas

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Fonte: techtudo
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Antes mesmo de a bola rolar na Copa do Mundo de 2026, um poderoso sistema computacional já havia definido seu veredito: Espanha, França, Inglaterra e Argentina seriam as quatro forças do futebol mundial naquele ano. O mais impressionante? Essas quatro selecionas efetivamente chegaram às semifinais do torneio. Mas não se trata de adivinhação ou bola de cristal — é pura matemática em ação.

O supercomputador desenvolvido pela empresa britânica Opta Sports processou milhões de dados e executou milhares de simulações para chegar a essa conclusão. Máquinas como essa são capazes de analisar um volume astronomico de informações em poucos segundos, simulando inúmerso cenários simultaneamente para calcular probabilidades e estimar prováveis vencedores de cada partida.

O conceito de antecipar resultados esportivos é muito mais antigo do que os computadores modernos. Segundo a obra "The Business of Sports Betting", civilizações como a egípcia, a grega e a romana já apostavam em competições esportivas há milhares de anos, em eventos que iam de corridas de bigas aos Jogos Olímpicos da Antiguidade.

Nos dias de hoje, contudo, prever o desfecho de uma partida não depende apenas da intuição dos apostadores, mas também de estatísticas detalhadas. O volume de dados sobre partidas e atletas cresceu exponencialmente nas últimas décadas — hoje, cada passe, finalização ou desarme é registrado e disponibilizado online. Plataformas como Sofascore e Transfermarkt reúnem milhares de estatísticas sobre equipes e jogadores em tempo real.

É justamente esses dados que tornam as previsões possíveis. Em vez de tentar adivinhar quem será o campeão, os supercomputadores analisam milhões de informações — como desempenho recente, histórico de confrontos, gols, assistências e outras estatísticas individuais, lesões, suspensões e muitos outros indicadores —, calculam as probabilidades de cada confronto e simulam o torneio repetidas vezes para estimar as chances de cada equipe avançar.

Vale ressaltar que os supercomputadores não foram criados especificamente para prever resultados esportivos. O CDC 6600, considerado por muitos o primeiro supercomputador da história, foi desenvolvido em 1964 para resolver problemas científicos complexos, como simulações nucleares, previsões meteorológicas e pesquisas aeroespaciais. Seis décadas depois, a mesma lógica de processamento massivo passou a ser empregada também em áreas como economia, biologia e, mais recentemente, no esporte.

Foi nesse contexto que surgiu o Opta Supercomputer, desenvolvido pela Opta Sports. O sistema combina inteligência artificial, modelos estatísticos e um extenso banco de dados para que os entusiastas do futebol consigam embasar seus palpites com matemática. Embora seja o exemplo mais conhecido, a Opta não está sozinha nesse mercado. Pesquisadores da Universidade de Liverpool também utilizam um supercomputador para simular Copas do Mundo, enquanto, no Brasil, o Grupo de Probabilidades no Futebol da Universidade Federal de Minas Gerais calcula, desde 2004, as chances de título, classificação e rebaixamento de equipes com base em modelos matemáticos e estatísticos.

Antes do início da Copa de 2026, o supercomputador da Opta simulou o torneio impressionantes 25 mil vezes. A Espanha foi apontada como campeã em 16,1% desses cenários, seguida pela França, com 13%, Inglaterra, com 11,2%, e Argentina, com 10,4%. Até mesmo o jogo eletrônico EA FC 26, em testes realizados pela empresa desenvolvedora, cravou a Espanha como campeã da Copa.

Essas probabilidades não permaneceram estáticas durante o torneio. À medida que a Copa avançava, o modelo incorporou os resultados das próprias partidas e refez as simulações considerando os cenários ainda possíveis. Depois das quartas de final, por exemplo, a França passou a ser apontada como a principal favorita, com 34% de probabilidade de conquistar o título. Inglaterra aparecia com 21,9%, a Espanha com 23,4% e a Argentina com 20,6%, em um cenário muito mais equilibrado do que o projetado antes do início da competição.

Para quem pensou em abrir uma planilha e reproduzir essas contas no computador de casa, é melhor baixar um pouco as expectativas. Isso porque, antes de cada simulação, um supercomputador precisa reunir e processar toda aquela enorme quantidade de dados sobre as selecionas e seus jogadores. Esse processo envolve bilhões de operações matemáticas em pouco tempo.

Um computador doméstico até conseguiria executar parte desse trabalho, mas levaria muito mais tempo e esbarraria em limitações de memória e processamento. Já os supercomputadores distribuem os cálculos entre milhares de processadores trabalhando em paralelo, o que permite atualizar as previsões antes de cada rodada.

A Opta não divulga as especificações do supercomputador utilizado em suas previsões. Para se ter uma ideia da ordem de grandeza dessas máquinas, contudo, basta olhar para outro exemplo: o El Capitan, supercomputador norte-americano lançado em 2024, reúne mais de 11 mil unidades de processamento, cerca de 1,1 milhão de núcleos de CPU e 46 mil GPUs. Por isso, essas máquinas recebem o "super" em seus nomes.

É inegável que o supercomputador da Opta obteve um desempenho surpreendente na Copa do Mundo de 2026. Antes de a competição começar, apontou corretamente que Espanha, França, Inglaterra e Argentina seriam as quatro selecionas com maiores chances de conquistar o título, e foram justamente essas quatro equipes que chegaram às semifinais.

O acerto reforça a capacidade do modelo de identificar tendências a partir de grandes volumes de dados, mas não significa que ele seja infalível. Isso porque previsões esportivas trabalham com probabilidades, que não são sinônimos de certezas. Dizer que uma seleção tem 95% de chance de ser campeã não significa que ela inevitavelmente levantará a taça. Significa apenas que, entre milhares de cenários simulados, esse foi o desfecho mais frequente.

Afinal, a história do esporte está repleta de exemplos em que o improvável aconteceu. No Campeonato Brasileiro de 2009, por exemplo, modelos matemáticos chegaram a atribuir ao Fluminense cerca de 99% de chance de rebaixamento. O clube, contudo, protagonizou uma arrancada histórica nas rodadas finais e permaneceu na Série A, episódio que ficou conhecido como a campanha do "Time de Guerreiros".

Algo semelhante ocorreu no Campeonato Brasileiro de 2023. Em determinado momento da competição, o Botafogo aparecia como amplo favorito ao título, enquanto o Palmeiras tinha pouco mais de 6% de probabilidade de ser campeão em algumas projeções estatísticas. Ainda assim, a equipe paulista protagonizou uma recuperação, ultrapassou os concorrentes e terminou a temporada com a taça.

Nem mesmo atletas escapam desse raciocínio probabilístico. Recentemente, um matemático espanhol viralizou ao estimar, com base em estatísticas de goles e assistências, que seria preciso esperar centenas de milhares de anos para surgir outro jogador com números comparáveis aos de Lionel Messi.

Apesar das inúmeras estatísticas e porcentagens, sempre haverá espaço para um gol improvável, uma defesa impossível, um drible desconcertante e uma virada histórica. É provável que os supercomputadores continuem refinando seus modelos e reduzindo as margens de erro. Ainda assim, o futebol seguirá sendo decidido no relvado, onde os únicos números que realmente importam estão estampados nas camisas dos jogadores.

Fonte: techtudo

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