Após uma apresentação de aproximadamente 45 minutos comandada pelo presidente-executivo da Sonos, Tom Conrad, que revelou os fones de ouvido Ace Ultra, a soundbar Beam Ultra e atualizações significativas no software da plataforma, a empresa conduziu demonstrações práticas para a imprensa presente. Na ocasião, foi possível experimentar o novo hardware e compreender como o sistema operacional Sonos 27 permitirá interações mais sofisticadas com os dispositivos da marca.
A soundbar Beam Ultra foi apresentada em diversas configurações: sozinha, paired com um par de caixas Play como caixas de surround e em conjunto com os fones Ace Ultra. Em um ambiente aberto, é difícil avaliar o quanto a nova matriz de alto-falantes contribui para a imersão, porém o som mostrou-se potente, claro e com volume impressionante. Assistimos a uma cena da corrida de Fórmula 1 que continha múltiplos elementos sonoros: narração, diálogos dentro do carro, ruídos ambiente como motores, helicópteros e fogos de artifício. Todos os elementos estavam bem equilibrados, com graves expressivos mesmo sem um subwoofer conectado.
Também foi possível observar a tecnologia Sonos Fabric em funcionamento, que permite aos dispositivos terem maior consciência contextual sobre sua posição e ambiente. Durante a demonstração, um par de caixas Play foi posicionado sobre uma mesa atrás do sofá onde estávamos sentados. Conforme prometido, conectaram-se automaticamente ao sistema e adicionaram áudio surround traseiro, causando grande impacto na imersão total. O áudio panorâmico tornou-se muito mais perceptível, com reverb interessante nas vozes dos narradores.
Foi igualmente possível testar a capacidade dos Ace Ultra de receber o áudio da soundbar e reproduzi-lo pelos fones. Os Ace originais também ofereciam essa função, então não se trata de uma novidade absoluta, mas para quem nunca assistiu a um filme em casa com fones, a reprodução de toda a complexidade sonora da cena de Fórmula 1 foi bastante satisfatória.
A empresa também ofereceu uma sessão mais detalhada com a Beam Ultra em um ambiente menor, diferente do espaço de conferência onde ocorreu o evento. A primeira demonstração foi exclusivamente musical, destacando as capacidades de áudio imersivo das caixas. Houve uma sensação marcante de posicionamento dos instrumentos, como se estivessem fisicamente distribuídos em áreas específicas do cômodo, com separação impressionante para uma soundbar compacta.
Assistimos também a uma cena do filme Sinners com as caixas de surround conectadas, o que representou a demonstração mais impressionante do dia. A cena utilizava muitas tomadas com câmera rotativa e o áudio acompanhava o movimento, demonstrando um posicionamento notável dos diversos elementos sonoros concorrentes. Embora a Beam Ultra tenha sido a estrela das apresentações, as caixas Play menores impressionaram pela capacidade surround, e o fato de poderem ser facilmente agrupadas com uma soundbar e depois removidas para uso portátil como caixas independientes aumenta ainda mais sua versatilidade.
A Sonos dedicou grande parte do evento às funcionalidades de inteligência artificial e sua integração no Sonos 27, sistema operacional que controla todos os produtos da empresa. Após as demonstrações da soundbar, a empresa apresentou a evolução do assistente de voz. Assim como visto em atualizações como a Alexa+, a proposta é permitir conversas em linguagem natural. Em uma demonstração, foi possível solicitar à Sonos que tocasse aquele "álbum acústico ao vivo do Nirvana" e o MTV Unplugged in New York iniciou sem confusões. Outro exemplo eficaz foi pedir para tocar "All Along the Watchtower" — a versão cover do Jimi Hendrix Experience começou, mas ao solicitar "a versão do Bob Dylan", a troca ocorreu de forma fluida.
O assistente foi desenvolvido com profundo conhecimento musical, mas a empresa afirma que também responde a perguntas gerais. Também foi possível observar como o Sonos 27 funciona com diferentes modelos de inteligência artificial. Graças a um protocolo aberto de contexto de modelo, é simples configurar o sistema para responder a comandos de assistentes como Claude, ChatGPT e outros. Em uma demonstração, três caixas em uma residência exemplo estavam conectadas tanto ao ChatGPT quanto ao Claude, e perguntas em linguagem natural para reproduzir músicas, ajustar volume e mover faixas para diferentes cômodos funcionaram conforme o esperado.
Por fim, foi apresentada uma prévia de como os agentes personalizados funcionaráo no Sonos 27. A demonstração mostrou diferentes identidades que podem ser criadas diretamente no aplicativo da Sonos, definindo o estilo de comunicação desejado, a personalidade e o modelo de IA a ser utilizado. Havia, por exemplo, uma personalidade de chef francês que sugeria receitas após o usuário informar os ingredientes disponíveis, permitindo também pedir que o assistente reproduzisse músicas apropriadas para o momento. Esses agentes personalizados podem acessar o conhecimento do assistente de voz da Sonos para atender a esse tipo de solicitação. Ainda é cedo para os agentes personalizados — diferentemente de quase tudo mais anunciado, ainda não será possível experimentá-los.
Finalmente, houve a oportunidade de testar os Ace Ultra em ação. Não é possível fazer uma avaliação definitiva em uma sessão de cinco minutos, mas os fones são tão leves e confortáveis quanto os Ace originais, porém com diversas funcionalidades adicionais. A principal delas é a capacidade de aparecer no sistema Sonos como se fossem apenas outra caixa de som. É necessário ter pelo menos uma caixa Sonos padrão na configuração, pois os fones utilizam essa caixa como base de processamento. Uma vez configurado, qualquer áudio pode ser enviado aos Ace Ultra. Ao aproximar-se de uma caixa em reprodução e pressionar um botão nos fones por alguns segundos, o áudio é transferido. Pressionar novamente devolve o som à caixa próxima — e se o usuário mudar de cômodo e tentar novamente, o áudio será enviado para a caixa mais próxima, não necessariamente a original.
Funcionalidades como essa e a nova capacidade de usar caixas como surround portáteis são as inovações mais empolgantes desta demonstração. Elas resolvem problemas reais ou facilitam ainda mais ouvir músicas onde o usuário desejar, o que sempre foi a promessa central da Sonos. A qualidade do som mostrou-se bastante satisfatória, como esperado para fones de 450 dólares, e as melhorias no cancelamento ativo de ruído parecem significativas — os fones praticamente isolaram todo o burburinho do ambiente lotado da demonstração. Ainda há muito a ser avaliado para compreender como esses fones se posicionam em um mercado competitivo com opções respeitadas de gigantes como Sony e Bose, mas a Sonos parece oferecer uma proposta mais singular para seus usuários fiéis do que oferecia com os Ace originais.

