A plataforma de financiamento coletivo GoFundMe se transformou em um pilar da cultura norte-americana, especialmente a partir de 2020, quando Tim Cadogan assumiu como diretor executivo em meio à pandemia de covid-19. Durante entrevista ao podcast Decoder, Cadogan revelou que a empresa passou a ocupar um papel fundamental na sociedade, funcionando como uma espécie de rede de apoio quando os sistemas tradicionais falham ou são insuficientes.
Com presença em 20 países, o GoFundMe hoje alcança um reconhecimento espontâneo de cerca de 70% da população norte-americana, número que saltou das antigas marcas de 30%. Mais de um terço dos adultos nos Estados Unidos já utilizaram a plataforma, que movimentou mais de 40 bilhões de dólares em ajudas ao longo dos últimos 15 anos e contou com 80 milhões de doadores no último ano.
As despesas médicas representam a categoria que mais arrecada recursos na plataforma, ocupando o primeiro lugar não apenas nos Estados Unidos, mas em todos os países onde o serviço opera. Cadogan reconhece que isso reflete uma lacuna nos sistemas de saúde ao redor do mundo, incluindo nações com assistência universal, onde ainda surgem necessidades como transporte, perda de rendimentos e cuidados complementares durante tratamentos de saúde.
O modelo de negócios da empresa se mantém simples: cobra-se apenas as taxas de processamento de transações, equivalentes a 2,9% mais 30 centavos por operação nos Estados Unidos, similares às cobranças de qualquer comércio que aceita cartão de crédito. A gorjeta para a plataforma é voluntária e o doador decide se e quanto contribuir. A média de doações gira em torno de 80 a 100 dólares por pessoa.
Com 850 funcionários, a empresa investe pesado em tecnologia, segurança e comunicação. Um dos diferenciais é otime de comunicações, que trabalha paraampliar a visibilidade das campanhas e inspirar mais pessoas a pedir ajuda. A plataforma desenvolveu ainda um assistente virtual baseado em inteligência artificial, chamado Smart Fundraising Coach, que auxilia na criação e gestão das campanhas, já tendo sido utilizado mais de 90 milhões de vezes.
Questionado sobre as críticas ao papel do GoFundMe como substituto do Estado, Cadogan afirmou que seu objetivo é gerar mais ajuda no mundo e que a empresa não faz lobby contra expansão de programas governamentais de saúde. Para ele, existe uma dimensão emocional na ajuda comunitária que nenhuma instituição governamental consegue replicar.
A empresa mantém regras claras de moderação, proibindo campanhas para defesa legal de crimes violentos e fraudes. Em relação ao conflito entre Israel e Gaza, Cadogan informou que mais de 500 milhões de dólares foram habilitados para a região, embora algumas campanhas tenham sido bloqueadas por não atenderem aos critérios regulatórios internacionais. A plataforma utiliza processadores de pagamento como Adyen, Stripe e PayPal Giving Fund, que adicionam camadas extras de verificação.
Recentemente, a empresa enfrentou controvérsias ao criar páginas para organizações sem fins lucrativos que não haviam solicitado presença na plataforma. Cadogan reconheceu que a expansão foi rápida demais e pediu desculpas, comprometendo-se a ajustar a abordagem. O executivo reforça que o sucesso de uma campanha depende fundamentalmente de conexões autênticas, e que a tecnologia serve para potencializar essa humanidade, não para substituí-la.
Fonte: The Verge

