Em tempos de fraudes digitais cada vez mais sofisticadas, com inteligência artificial sendo usada para enganar pessoas, uma ameaça que muitos consideravam ultrapassada continua fazendo vítimas. Trata-se dos golpes envolvendo cartões de crédito físicos e correspondências enviadas pelo correio, que mesmo parecendo coisa do passado, ainda causam prejuízos consideráveis em diversos países.
Um dos esquemas mais preocupantes é o envio de cartões de crédito falsos pelo correio. Portugal, França e Alemanha registraram nos últimos anos ondas significativas dessa modalidade de golpe. Criminosos enviam cartas com cartões supostamente de reposição, informando que o cartão atual está prestes a vencer, independentemente de a vítima realmente possuir um cartão com essa característica. Para ativar o suposto novo cartão, a correspondência orienta a pessoa a escanear um código QR ou acessar um endereço eletrônico. Alguns desses cartões falsificados até trazem o nome verdadeiro dos clientes, o que aumenta a aparência de legitimidade. Segundo Georg Hauer, consultor de bancos digitais, o cartão funciona como um token que gera a confiança necessária para que a vítima caia no golpe.
Ao escanear o código QR, as vítimas são redirecionadas para sites falsos que imitam páginas de bancos. Lá, são induzidas a inserir dados pessoais e bancários, concedendo aos bandidos acesso direto às suas contas. Hauer destaca que esse tipo de golpe está em escalada há quase dois anos e já se mostrou suficientemente eficaz para ser reproduzido em outros países. Graças à inteligência artificial, o custo de produção de cartões personalizados diminuiu consideravelmente, já que a tecnologia consegue copiar designs a partir de imagens. Isso torna o golpe mais rentável e potencialmente mais lucrativo.
Os golpes pelo correio não são a única herança dos anos 1990 ainda em circulação. O Ministério Público dos Estados Unidos para o Distrito Norte do Alabama indiciou dois romenos suspeitos de clonagem de cartões de crédito. As autoridades garantem que o duo mirava especificamente os benefícios alimentares do programa SNAP distribuídos por meio de cartões de débito antiquados, que funcionam apenas com tarja magnética, conhecidos como cartões EBT.
Embora fraudes relacionadas a cartões com chip existam, esse caso recente evidencia que os leitores de tarja magnética permanecem ativos porque a tecnologia ainda é amplamente utilizada. O FBI relatado que esse tipo de ataque tem se intensificado desde aproximadamente 2021. O promotor Phillip W. Williams Jr. informou que os prejuízos apenas nos Estados Unidos superam um bilhão de dólares anuais, caracterizando o que descreveu como um roubo sigiloso e insidioso.
Gary Warner, diretor de inteligência da firma de segurança digital DarkTower, enfatiza que inúmeres estados ainda dependem de cartões exclusivamente com tarja magnética para distribuição de benefícios. A vulnerabilidade crítica reside no fato de que a tarja pode ser comprometida, permitindo a criação de uma cópia que acessa não apenas o saldo atual, mas também valores futuros. Warner ainda adverte que caixas eletrônicos independentes e estabelecimentos menores podem expor cartões com chip a leituras de tarja magnética, já que os leitores fraudulentos frequentemente induzem a falha do chip.
Apesar de uma tendência de eliminação gradual das tarjas magnéticas nos Estados Unidos, a empresa Mastercard anunciou recentemente que deixará de emitir cartões com tarja a partir de 2029, com circulação completa até 2033. A fraude financeira se tornou um dos crimes mais frequentes globalmente, com ataques que incluem manipulação psicológica, campanhas massivas de mensagens fraudulentas e transferências bancárias que aparentam legitimidade.
Hauer observa que delinquentes sempre buscarão os métodos mais eficientes para maximizar seus ganhos, mesmo que isso implique envio de correspondências físicas. O verdadeiro objetivo de alguns desses golpes não é apropriar-se de dois mil euros, mas esvaziar contas de poupança com valores bem mais substanciais. Para proteção, especialistas recomendam evitar ao máximo o uso da tarja magnética, verificar se os terminais apresentam sinais de adulteração e manter o mesmo ceticismo com cartas físicas que se aplica a mensagens de texto e ligações telefônicas.
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