OCEO do JPMorgan Chase, Jamie Dimon, intensificou sua cruzada contra a legislação de criptomoedas nos Estados Unidos. Em entrevista à Fox Business nesta sexta-feira, o executivo disparou críticas pesadas contra o projeto de lei conhecido como Lei Clarity e contra oCEO da Coinbase, Brian Armstrong, sem poupar palavras.
Críticas directas e ameaças à indústria cripto
Durante a entrevista, Dimon afirmou categoricamente que não está satisfeito com a versão atual da Lei Clarity, которая regulamentaria a maior parte da atividade de criptomoedas no país. O executivo deixou claro que os bancos não aceitarão o texto tal como está e que a indústria bancáriaará uma batalha para modificar o projeto de lei. "Será combatida", declarou Dimon. "Ninguém vai se curvar a esse cara ou a essa empresa", completou, referindo-se indirectamente a Armstrong e à Coinbase.
A polêmica com Brian Armstrong
Quando a âncora Maria Bartiromo perguntou especificamente sobre a Coinbase, Dimon não segurou sua opinião. "Ele está gastando centenas de milhões de dólares em Washington com essa coisa. Ele está cheio de merda", afirmou oCEO do JPMorgan, criticando duramente os esforços de lobbying da exchange de criptomoedas. A exchange, por sua vez, tem sido uma das principais articuladoras do setor para a aprovação da Lei Clarity no Congresso americano.
O núcleo do conflito: rendimentos de stablecoins
Por trás da hostilidade de Dimon está uma disputa fundamental sobre os rendimentos oferecidos por stablecoins, activos digitaislastreados em moedas fiduciárias. Os bancos têm visto essa questão como uma ameaça aos seus próprios modelos de negócio e o lobby bancário tem trabalhado para atrasar o progresso da legislação nos últimos meses.
Actualmente, as plataformas de criptomoedas podem oferecer rendimento sobre as reservas de stablecoins, conforme permitido pela Lei GENIUS, sancionada pelo Presidente Donald Trump em julho do ano passado. Essa lei proíbe especificamente que emissores como Tether ou Circle ofereçam rendimento directamente aos clientes, mas permite que terceiros, incluindo a Coinbase e outras exchanges, façam essa oferta aos utilizadores.
A batalha dos bancos para fechar a brecha
Os grandes bancos americanos, representados pelo JPMorgan de Dimon, têm lutado para incluir uma linguagem na Lei Clarity que feche essa brecha e impeça as plataformas de cripto de oferecerem rendimentos sobre stablecoins. Por outro lado, gigantes da indústria como a Coinbase querem garantir que essas plataformas possam continuar oferecendo esses retornos aos clientes, o que representa uma fonte significativa de receita para o sector.
Essa disputa contribuiu directamente para atrasar a possível aprovação da Lei Clarity em mais de quatro meses. Num determinado momento, a Coinbase chegou a retirar seu apoio ao projecto de lei antes da inclusão de uma linguagem de compromisso sobre as recompensas de stablecoins. "Se você quer ser um banco, torne-se um banco", declarou Dimon em março. "Então você pode fazer o que quiser sob a lei bancária."
O futuro da legislação de criptomonedas nos EUA
Apesar das intensas negociações e idas e vindas, a Lei Clarity conseguiu avançar. O projeto de lei foi aprovado numa votação crucial do Comité Bancário do Senado em maio e agora seguirá para o plenário da câmara alta, onde poderá receber aprovação final antes de seguir para a Casa Branca.
O Presidente Donald Trump tem sido um defensor activo da legislação e garantiu que pretende "codificar uma estrutura de mercado de activos digitais à prova de futuro". Nas plataformas de aposta política Polymarket, os utilizadores dão ao projecto cerca de 59% de chance de ser sancionado até ao final de 2026, mostrando que a disputa ainda está longe de chegar ao fim.
