A Meta está recuando parcialmente em seu polêmico plano de coletar movimentos de mouse, digitações e outras ações de funcionários para usar como dados de treinamento de inteligência artificial. A decisão ocorre após semanas de forte resistência dos empregados, que criticaram a iniciativa comparando a empresa a uma "fábrica de extração de dados". A informação foi divulgada em memorando interno obtido pela Reuters nesta terça-feira (2).
O programa de rastreamento interno
A empresa havia anunciado, no mês passado, a instalação de um novo software de rastreamento nos computadores de funcionários nos Estados Unidos. O programa, conhecido internamente como Model Capability Initiative (MCI), tinha como objetivo capturar cliques, movimentos de mouse e digitações para treinar modelos de IA capazes de executar tarefas de trabalho de forma autônoma. A iniciativa fazia parte de um esforço mais amplo da Meta para construir agentes de inteligência artificial.
A reação negativa dos funcionários
O lançamento ocorreu em meio a uma ampla reestruturação na Meta, que incluia demissões de oito mil trabalhadores e a redistribuição de milhares de outros para funções ligadas à IA. A medida provocou reaction negative entre os funcionários, que expressaram preocupações sobre privacidade, consumo excessivo de dados e duração da bateria. muitos trabalhadores chegaram a comparar a empresa a uma "fábrica de extração de dados de funcionários".
As novas medidas implementadas
Em resposta às críticas, a empresa anunciou novas允许 que funcionários pausem a coleta de dados por até 30 minutos de cada vez. Além disso, um grupo restrito de empregados poderá pedir exceções ao programa, incluindo trabalhadores remotos com preocupações de largura de banda, pessoas que lidam com material sensível e aqueles que frequentemente trabalham em locais sem conexão com fonte de energia.
Otimizações técnicas
A equipe responsável pelo software introduziu várias otimizações para reduzir o impacto sobre a bateria dos computadores e sobre o tráfego de dados, após reclamações de que o sistema consumia tanta internet que elevava significativamente o uso de dados em casa. O documento foi assinado por Stephane Kasriel, vice-presidente da unidade Superintelligence Labs, responsável pela construção dos modelos de IA.
A defesa de Mark Zuckerberg
Em reunião geral com funcionários, o CEO Mark Zuckerberg defendeu o programa. Em áudio vazado do encontro do mês passado, ele afirmou que "observar pessoas realmente inteligentes fazendo coisas" é a melhor forma de acelerar o aprendizado dos modelos de IA. "A inteligência média das pessoas que estão nesta empresa é significativamente maior do que o conjunto médio de pessoas que você pode conseguir para realizar tarefas", declarou.
Zuckerberg garantiu que nenhum dado está sendo usado para vigilância ou acompanhamento de desempenho. "É puramente para alimentar uma quantidade muito grande de conteúdo no modelo de IA, para que ele possa aprender como pessoas inteligentes usam computadores para realizar tarefas. Eu acho que isso vai ser uma vantagem muito grande", afirmou. Ele também adiantou que, se o sistema funcionar, a empresa provavelmente implementará mais iniciativas semelhantes no futuro.
Possíveis implicações regulatórias
A medida pode aprofundar os problemas regulatórios da Meta na União Europeia, onde empresas de tecnologia enfrentam disputas legais intensas sobre como coletam e usam dados. A empresa não comentou o assunto quando procurada pela Reuters.
Perspectivas futuras
Apesar das modificações, a maior parte dos funcionários da Meta ainda deverá permitir que seus movimentos sejam rastreados e registrados em nome da melhora dos modelos de inteligência artificial da empresa. O caso ilustra os desafios enfrentados pelas big techs ao tentar equilibrar a necessidade de dados para desenvolvimento de IA com as preocupações de privacidade de seus colaboradores.
Fonte: https://olhardigital.com.br
