O fundador da Strategy, Michael Saylor, afirmou em entrevista que utilizou o ChatGPT para desenvolver um modelo inédito de ações preferenciais lastreadas em Bitcoin, o que permitiu à empresa captar cerca de US$ 15 bilhões no último ano. A declaração foi feita durante conversa com o podcast britânico de entrevistas The Diary of a CEO, publicada nesta quarta-feira (4).
Segundo o executivo, a companhia já havia levado ao limite suas duas principais formas tradicionais de financiamento — a emissão de ações ordinárias e os títulos de dívida conversíveis em ações. Com isso, restava buscar uma solução criativa para dar sequência ao plano de acumular cada vez mais Bitcoin. Foi nesse momento que a inteligência artificial entrou em cena.
"Tinha que inventar um novo tipo de valor mobiliário, um instrumento de crédito que nos permitisse captar recursos para adquirir mais Bitcoin", contou Saylor durante a conversa de quase uma hora e quarenta minutos. "Fui até a inteligência artificial e comecei a explorar como projetar uma ação preferencial. Queria algo que não fosse uma ação comum, mas também não fosse um título de dívida. Algo híbrido entre os dois."
Batizado de STRK, o modelo representou uma combinação pioneira de engenharia financeira, ativos digitais, trabalho jurídico e legislação do mercado de capitais. Na época, todos os advogados e banqueiros consultados afirmaram que ninguém jamais havia criado uma ação preferencial lastreada em Bitcoin e recomendaram que o projeto não fosse adiante. Mas, como o crescimento da empresa travaria sem uma nova solução, a decisão foi manter o plano.
A proposta central se assemelhava à de um fundo de mercado monetário: o investidor receberia rendimento sem precisar lidar diretamente com a volatilidade do ativo subjacente. Para preservar a estabilidade do preço, a equipe idealizou um mecanismo em que a taxa de dividendos poderia ser ajustada mensalmente — algo que, segundo Saylor, nunca havia sido feito na história do mercado financeiro.
"Perguntamos à inteligência artificial se podíamos fazer isso. A resposta foi: claro que podem. Basta fazer isso, isso e aquilo. Se alguém não gostar, façam desta outra forma", relatou o bilionário.
Em julho, a Strategy apresentou ao mercado quatro ações preferenciais distintas: STRF, STRC, STRK e STRD. Entre elas, a STRC ganhou maior tração por conta de seu modelo de ancoragem em US$ 100 e do pagamento mensal de dividendos. Mesmo assim, o ativo chegou a despencar para US$ 71,25 em junho, gerando memes nas redes sociais e críticas de que as pessoas não deveriam confiar em inteligência artificial.
A recuperação veio nas semanas seguintes, quando a Strategy vendeu parte de seus Bitcoins para recomprar ações STRC e pagar dividendos. Hoje, o papel é negociado na faixa dos US$ 94,5, próximo de sua cotação de ancoragem e atingindo o maior patamar dos últimos 50 dias.
Não é a primeira vez que Saylor menciona o uso de inteligência artificial em seus negócios. Em maio deste ano, o executivo já havia admitido que utiliza ferramentas de IA para acelerar tarefas que, segundo ele, entregam entre 80% e 95% do trabalho, deixando o restante a cargo das equipes financeira e jurídica da empresa. Questionado sobre qual plataforma especificamente foi usada no projeto das ações preferenciais, Saylor afirmou que recorreu ao ChatGPT, desenvolvido pela OpenAI.
Fonte: Livecoins

