O ministro da Economia da Bolívia, José Gabriel Espinoza, revelou nesta sexta-feira (10) que a pasta trabalha na avaliação técnica para incorporar a stablecoin USDT ao sistema de pagamentos do país. A nação vizinha enfrenta uma grave crise econômica e busca alternativas para estabilizar sua moeda.
A Bolívia abandonou no mês passado sua política de câmbio fixo, que estava em vigor há 15 anos. Essa decisão ocorreu após o dólar paralelo ser negociado muito acima da taxa oficial mantida pelo Banco Central boliviano. A mudança gerou maior tensão no cenário econômico nacional.
O país viveu um período de crescimento impulsionado pelas exportações de gás natural no início dos anos 2000. No entanto, a queda na produção combinado com a expansão dos programas sociais durante o governo de Evo Morales resultou em uma forte recessão. Entre as consequências mais severas estão a escassez de dólares nas reservas governamentais e a falta de combustíveis nos postos de abastecimento.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Espinoza explicou que a equipe ministerial analisa a inclusão do USDT como uma moeda adicional no sistema financeiro boliviano, circulando paralelamente ao dólar americano e ao boliviano. "O que temos hoje é a revogação de uma proibição, mas ainda não existe regulamentação mais ampla sobre o tema. Isso foi feito na gestão anterior por desespero, tentando encontrar no USDT uma alternativa ao dólar e acabando por desorganizar ainda mais o mercado", afirmou.
O ministro enfatizou que a adoção da stablecoin requer análise detalhada sob diversos aspectos. Ele lembrou que a Bolívia permanece na lista cinza do Grupo de Ação Financeira Internacional, indicando falhas nos sistemas de combate à lavagem de dinheiro e a outros crimes. "É mais um dos problemas herdados do passado. As criptomoedas precisam ser bem reguladas para não se tornarem instrumento de criminosos", completou.
Espinoza também fez uma distinção entre o Bitcoin e o USDT, explicando ao público que são modelos diferentes. Enquanto a principal criptomoeda do mundo apresenta grande volatilidade, a stablecoin da Tether mantém seu valor atrelado ao dólar americano.
Dados do Banco Central boliviano indicam que as negociações de criptomoedas no país cresceram aproximadamente 630% há cerca de um ano. No entanto, o órgão não publicou novos relatórios sobre o tema desde então.
Fonte: Livecoins
