O Ministério Público Federal defendeu nesta quinta-feira a estratégia de sufocamento financeiro de organizações criminosas durante reunião de órgãos internacionais em Cusco, no Peru. O vice-procuradorgeral da República, Hindenburgo Chateaubriand, apresentou a abordagem na abertura da trigésima terceira Assembleia-Geral Ordinária da Associação Ibero-Americana de Ministérios Públicos, que contou com representantes de vinte e dois países.
Durante seu discurso, Chateaubriand enfatizou a urgência de rastrear e bloquear o uso de moedas virtuais por grupos criminosos que utilizam essas ferramentas para ocultar valores financeiros. Segundo ele, a tecnologia facilita o envio de recursos ilícitos para estruturas no exterior, o que exige que os órgãos de investigação ajam rapidamente antes do encerramento das apurações locais.
O vice-procuradorgeral destacou que nenhum órgão nacional consegue enfrentar essa estrutura de forma isolada. "É fundamental adotarmos uma perspectiva em que a cooperação internacional deixe de ser apenas reativa e passe a integrar, desde o início, o planejamento e a estratégia investigativa", afirmou ele durante o evento.
A criação de Equipes Conjuntas de Investigação surge como solução direta para esse desafio. O modelo permite a troca de provas e dados de inteligência sem burocracia entre as nações. O Brasil já participou de oito equipes desse tipo em anos recentes, incluindo uma parceria com a Itália que resultou na Operação Eredità para desarticular esquemas de tráfico ilegal de valores e drogas.
Para seguir os valores ocultos, as autoridades apostam em grupos multidisciplinares de trabalho. O Ministério Público Federal conta com o Grupo Nacional de Apoio ao Enfrentamento ao Crime Organizado para unir forças locais e oferecer apoio técnico em casos de grande complexidade.
Anamara Osório acompanhou as discussões como secretária de cooperação internacional da instituição. A representante apresentou conclusões do grupo focado no combate à corrupção transnacional e anunciou o lançamento de um guia para orientar investigações em zonas de fronteira e portos, recomendando a presença de agentes especializados no rastreamento de ganhos ilícitos.
Fonte: Livecoins