A forte onda de frio que atingiu Mato Grosso do Sul nas últimas semanas mobilizou a Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro) e acendeu o alerta entre pecuaristas do estado. As baixas temperaturas registradas em diversas regiões provocaram perdas significativas no rebanho bovino, levantando preocupações sobre manejo e prevenção.
O saldo das mortes nos municípios afetados
Pelo menos 83 bovinos morreram em cinco propriedades rurais do estado durante a passagem da frente fria. O município de Nova Andradina foi o mais atingido, concentrando 74 animais perdidos em quatro propriedades diferentes. Já em Angélica, nove bovinos faleceram em uma única fazenda. As ocorrências coincidiram com marcas térmicas que ficaram abaixo de 7°C, com sensação térmica próxima a 0°C em algumas localidades.
Hipotermia é a principal linha de investigação
A Iagro apontar a hipotermia como causa mais provável das mortes. Essa condição médica severa ocorre quando o corpo perde calor de forma acelerada, comprometendo funções vitais. O quadro é particularmente grave quando a queda brusca de temperatura viene acompanhada de ventos fortes e alta umidade, elementos que intensificam a perda de calor corporal nos animais.
Fatores que aumentaram a vulnerabilidade do gado
A exposição dos bovinos ao frio intenso depende de diversos fatores interconnected. Pastagens totalmente abertas, sem barreiras naturais, dejaron o gado completamente vulnerável às rajadas de vento e à chuva gelada. Animais mais jovens ou debilitados sentem o impacto do frio de forma mais acelerada, assim como bois que não recebem alimentação adequada e não possuem reservas de energia suficientes para gerar calor corporal.
Medidas de manejo preventivo recomendadas
Com novas frentes frias previstas para os próximos dias, a Iagro reforçou as orientações aos produtores rurais. As principais recomendações incluem a criação de barreiras contra o vento, disponibilizando áreas com capões de mata ou proteções naturais para o gado se abrigar. Também é fundamental reforçar a suplementação alimentar, oferecendo dietas ricas em energia para ajudar os animais a combater o estresse térmico. Os pecuaristas devem evitar manter os lotes em pastos totalmente abertos ou muito próximos a rios e córregos durante as madrugadas mais frias. Por fim, animais mais fracos ou jovens devem ser separados para um acompanhamento veterinário mais próximo.
Histórico preocupa o setor pecuário
O rigor climatico não é uma novidade para o setor em Mato Grosso do Sul. Em 2023, o estado enfrentou uma crise ainda mais severa, com a perda de mais de 2,5 mil bovinos em condições semelhantes. Esse histórico justifica a preocupação redobrada dos pecuaristas nesta temporada e destaca a necessidade de planejamento antecipado para proteger os rebanhos.
Fonte: https://olhardigital.com.br