A Polícia Federal inaugurou na capital federal um centro especializado em geoquímica forense destinado a rastrear a procedência do ouro retirado do subsolo brasileiro. O Laboratório de Rastreabilidade Mineral foi montado nas instalações do Instituto Nacional de Criminalística e receberá um investimento de 49,7 milhões de reais para adquirir equipamentos de ponta voltados à identificação da origem do metal precioso.
O projeto integra o Programa Ouro Alvo e conta com recursos oriundos do Fundo Amazônia, dentro das ações do Plano Amazônia Segurança e Soberania. Ao todo, o pacote financeiro disponibilizado pelo fundo reacha 318,5 milhões de reais. O dinheiro será utilizado para comprar aparelhos de análise mineral e detecção de mercúrio, além de construir espaços adequados para preparo, caracterização e armazenamento de amostras no instituto.
Por meio de testes geoquímicos e isotópicos, os peritos federais conseguem catalogar as características específicas de cada jazida nacional. Com essa base técnica, a corporação agora pode confrontar lotes de minério aprendidos durante operações policiais e determinar com precisão de qual região do território brasileiro o material foiextraído.
O diretor técnico-científico da instituição, Roberto Reis Monteiro Neto, afirmou que os novos equipamentos representam um avanço significativo para a perícia criminal federal. Na visão dele, a metodologia permite aos investigadores responderem com maior segurança de onde saiu o ouro apreendido. Já o diretor de Amazônia e Meio Ambiente, Humberto Freire de Barros, salientou que os exames laboratoriais comparam a composição física do metal com os dados informados nos documentos de transporte, expondo fraudes na cadeia comercial.
O gerente do Programa Ouro Alvo, Gustavo Caminoto Geiser, explicou que a necessidade do laboratório surgiu durante investigações sobre a veracidade de papéis apresentados junto às cargas minerais. Segundo ele, diante da complexidade dos esquemas criminosos, tornou-se indispensável ampliar a capacidade analítica para conseguir provar judicialmente a lavagem de ouro.
O fundo é gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social conforme diretrizes do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. A diretora socioambiental do banco de fomento, Teresa Campello, defendeu que o uso de tecnologia avançada fortalece o trabalho de inteligência das forças de segurança pública federal.
O plano estratégico conta com coordenação do Ministério da Justiça e Segurança Pública e articula operações da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal, da Força Nacional e dos órgãos estaduais das nove unidades federativas que compõem a Amazônia Legal. O lançamento do laboratório contou com a presença do secretário nacional Adalberto Maluf, representando a pasta ambiental, além do coordenador da Unidade de Prevenção aos Crimes Ambientais do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, Alexander Walsh.
Fonte: Livecoins