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Relatório da Chainalysis revela complexidade crescente do fluxo ilícito de criptomoedas no Brasil

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Gráfico destaca uma forte mudança no fluxo de criptomoedas ilegais em corretoras brasileiras, incluindo cartel (azul claro), evasão de sanções ligadas à Rússia (em amarelo), redes de lavagem de dinheiro operadas em língua chinesa (em verde) e serviços de garantia/escrow (em laranja). Fonte: Chainalysis/Reprodução. — Fonte: Livecoins
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O mercado brasileiro de criptomoedas atravessa uma fase de transformações significativas. A Chainalysis, referência internacional em segurança e inteligência de ativos digitais, publicou nesta quinta-feira um relatório detalhado sobre o fluxo de fundos ilícitos direcionados às corretoras nacionais. O documento evidencia uma mudança profunda na composição dessas transações, phenomenon que teve início em 2024 e se intensificou nos meses seguintes.

Entre os fatores que impulsionam essa transformação, destaca-se a crescente utilização de criptomoedas por organizações criminosas, especialmente cartéis de tráfico de drogas. Além disso, o relatório aponta para uma exposição significativa a serviços vinculados à Rússia, que enfrentam sanções impostas pelos Estados Unidos e outras nações. Outro ponto de atenção são as redes de lavagem de dinheiro operadas em língua chinesa, que têm apresentado expansão acelerada no mercado brasileiro.

O Brasil ocupa a quinta posição no ranking global de adoção de criptomoedas, um cenário que resulta da combinação de uma população numerosa e relativamente jovem, da expansão do setor de fintechs que normalizou essas operações e da demanda por stablecoins lastreadas em dólar como proteção contra a inflação. Entre julho de 2024 e junho de 2025, o país recebeu aproximadamente US$ 318 bilhões em ativos digitais.

Contudo, o relatório adverte que o mercado brasileiro também passou a ser utilizado por redes criminosas. A análise da Chainalysis indica que mais de 50% dos fluxos ilícitos identificados em corretoras brasileiras selecionadas em 2025 provêm de três categorias principais: redes de lavagem de dinheiro, entidades sancionadas e organizações de tráfico de drogas.

Os números revelam uma trajetória preocupante. O valor de criptomoedas ilícitas recebidas no Brasil saltou de US$ 11 bilhões em 2020 para US$ 59 bilhões em 2024, alcançando US$ 154 bilhões em 2025. Os exemplos incluem redes de lavagem operadas em língua chinesa, recursos provenientes de cartéis e transações relacionadas à evasão de sanções russas. Os serviços de garantia e escrow associados a fraudes e ao crime organizado também aparecem de forma crescente nos dados analisados.

Os especialistas observam que os criminosos têm adotado estratégias de dispersão, espalhando os fluxos por múltiplos endereços para evitardetecção. Paradoxalmente, a Concentration persiste: entre 75% e 90% do volume ilícito total recebido por trimestre provém de apenas cinco endereços de depósito, o que indica ser possível combatê-la por meio de monitoramento direcionado.

O relatório também aborda os avanços regulatórios brasileiros, destacando as Resoluções 519, 520 e 521 do Banco Central, que entraram em vigor em fevereiro de 2026, estabelecendo um caminho de licenciamento para corretoras e empresas do setor. As obrigações de reporte tornaram-se obrigatórias em maio de 2026, enquanto o prazo para licenciamento das prestadoras de serviços de ativos virtuais termina em outubro do mesmo ano.

A Lei nº 15.358 também merece destaque, por ampliar os poderes das autoridades para bloquear e confiscar criptomoedas vinculadas ao crime organizado. Os avanços brasileiros são considerados mais rápidos e abrangentes que a maioria dos países, transformando o marco regulatório nacional em referência regional.

“A maturação regulatória tem impacto direto nas tendências ilícitas descritas. Um setor de corretoras bem regulado e supervisionado representa um ambiente significativamente mais difícil para redes de lavagem de dinheiro explorarem”, conclui o relatório.

Fonte: Livecoins

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