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União Europeia não tem autoridade para impedir Sony de descontinuar mídia física, afirma comissário

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Fonte: IGN Brasil
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Enquanto milhares de jogadores assinam petições online e lotam as redes sociais da PlayStation com reclamações, a União Europeia confirmou que não possui poder para impedir a Sony — ou qualquer outra empresa — de encerrar a produção de jogos em formato físico.

A polêmica decisão da Sony de interromper o lançamento de títulos em mídia física para o PS5 a partir de janeiro de 2028 provocou uma onda de protestos na comunidade de gamers. Uma petição que solicita à empresa japonesa que reconsidere essa medida já ultrapassa a marca de 300 mil assinaturas. Além disso, usuários têm compartilhado capturas de tela de cancelamentos de assinaturas da PlayStation Plus nos últimos dias.

Muitos jogadores esperavam que a UE, reconhecida por suas rigorosas políticas de defesa do consumidor, pudesse intervir a favor da causa. No entanto, o comissário irlandês na União Europeia esclareceu que não há mecanismo legal para impedir a Sony de eliminar os discos físicos.

Conforme reportado pelo Irish Mirror, o Comissário Europeu de Defesa do Consumidor, Michael McGrath, explicou que tudo se resume à liberdade comercial e contratual. "As empresas são livres para oferecer jogos e serviços da maneira que julgarem adequada, desde que os direitos dos consumidores sejam plenamente protegidos, em conformidade com as legislações nacional e da UE", declarou ele. "Neste momento, tuvimos de considerar uma iniciativa de cidadãos europeus sobre a questão de saber se os jogos devem continuar disponíveis após o lançamento de uma nova edição do título."

Parte da insatisfação dos jogadores está relacionada a questões de propriedade e preservação de jogos. No mês passado, a campanha Stop Killing Games sofreu um revés quando a Comissão Europeia afirmou não poder propor uma obrigação legal de manter videogames jogáveis após o encerramento de sua comercialização, devido aos direitos de propriedade intelectual vigentes. Segundo a Comissão, sob a legislação de direitos autorais da União Europeia, os titulares de direitos detêm direitos exclusivos sobre suas criações.

A Comissão Europeia pointed para a legislação vigente sobre defesa do consumidor, que obriga editoras e desenvolvedoras de jogos a informar os consumidores sobre a duração e as condições de rescisão do contrato antes que eles adiram ao jogo. No entanto, a Comissão afirmou que dialogaria com a indústria de jogos e com representantes dos consumidores para elaborar um código de conduta do setor sobre o gerenciamento do "fim da vida útil" dos videogames.

Com a União Europeia fora da equação, a reação negativa online será suficiente para forçar a Sony a voltar atrás? Para analistas ouvidos pelo IGN, a resposta é não. O Dr. Serkan Toto, CEO da Kantan Games, uma consultoria japonesa especializada na indústria de jogos, sugere que, mesmo que meio milhão de pessoas cancelassem suas assinaturas da PlayStation Plus em protesto, isso seria apenas uma gota no oceano para a Sony.

"Eu compreendo os fãs de mídia física, mas a Sony não vai reverter essa decisão", afirmou Toto ao IGN. "Eles certamente sabiam qual seria a reação online e agora estão esperando a tempestade passar."

"A Sony tem mais de 120 milhões de usuários ativos do PlayStation", continuou ele. "Cerca de 50 milhões de pessoas assinam a PlayStation Plus. Em um exercício hipotético, digamos que 500 mil cancelem em protesto; isso representaria a perda de apenas 1% desse negócio — o que, obviamente, não é suficiente para fazer a Sony repensar a decisão. O mercado digital é lucrativo demais."

Para a Sony, adotar o modelo totalmente digital nos novos lançamentos de jogos gerará maior lucro por venda, em um momento em que se espera uma queda acentuada nas vendas de consoles devido ao aumento de seus custos. No caso de um jogo desenvolvido internamente pelo PlayStation, como The Last of Us, a Sony retém apenas cerca de 65% do valor de uma cópia física, enquanto aproximadamente 30% ficam com o varejista e cerca de 5% cobrem os custos de fabricação. Já para cópias físicas de jogos de terceiros, como Call of Duty, publicado pela Activision, a Sony recebe uma taxa de licenciamento, provavelmente em torno de 15%.

Por outro lado, as margens são muito mais elevadas nas versões digitais. Em jogos desenvolvidos internamente vendidos na própria loja da PlayStation, a empresa naturalmente retém 100% da receita. Quanto aos jogos de terceiros, como Call of Duty, a Sony fica com uma fatia de 30%, ou seja, cerca de 21 dólares em um jogo de 70 dólares.

Recentemente, o Santa Monica Studio confirmou que God of War Laufey "estará disponível em disco", sugerindo que seu lançamento ocorrerá em 2027. A Insomniac também confirmou que Marvel's Wolverine será lançado em mídia física.

Fonte: IGN Brasil

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