A Waymo, empresa do conglomerado Alphabet, desencadeou uma intensa batalha retórica contra a Tesla na semana passada, defendendo que veículos totalmente autônomos só são viáveis com a combinação de múltiplos tipos de sensores, e que sistemas de inteligência artificial baseados exclusivamente em arquiteturas de ponta a ponta apresentam riscos de segurança inaceitáveis. A empresa fez essas críticas em uma publicação em seu blog e em uma entrevista ao veículo Axios, sem nunca citar nominalmente a Tesla, mas deixando clara a intenção das mensagens.
As declarações surgiram a pouco mais de uma semana do evento marcado para 3 de setembro, quando a Tesla deve revelar oficialmente o Cybercab, um veículo elétrico de dois lugares projetado para integrar sua rede de robotáxis. Paralelamente, a Waymo anunciou na terça-feira a expansão para três novos mercados, ampliando ainda mais sua operação que já cobre mais de uma dezena de cidades norte-americanas.
Srikanth Thirumalai, vice-presidente responsável pelo software de condução da Waymo, destacou em publicação oficial que, após mais de 200 milhões de quilômetros percorridos em condições reais, os dadosconfirmam que câmeras sozinhas não são suficientes para garantir operações autônomas seguras em larga escala. O executivo enfatizou que a combinação de câmeras, lidar e radar cria uma representação redundante e rica do ambiente, algo que nenhum sensor individual consegue replicar. Thirumalai também alertou que arquiteturas neurais puras de ponta a ponta, que processam pixels crus e geram diretamente comandos de direção, correm o risco de apresentar falhas catastróficas e imprevisíveis.
A Waymo opera atualmente uma frota de aproximadamente 4.000 robotáxis distribuídos em 14 cidades dos Estados Unidos, realizando 500.000 viagens remuneradas por semana. Em contraste, a Tesla mantém testes limitados em algumas cidades do Texas e Flórida, utilizando SUVs Model Y adaptados, tendo removido recentemente os monitores de segurança da maioria desses veículos. O Cybercab, que será apresentado em setembro, não possui volante nem pedais, e a empresa pretende fabricar mais de 125.000 unidades anualmente segundo documentos regulatórios.
Elon Musk sempre criticoulidar como uma "muleta" tecnológica desnecessária, concentrando todos os esforços da Tesla em um sistema baseado apenas em câmeras e inteligência artificial. Essa abordagem mais simples pode representar uma vantagem significativa em custos de produção, já que a Waymo precisa adquirir veículos de outros fabricantes, como o modelo Ojai da Zeekr, e arcar com impostos de importação antes de instalar sua tecnologia de autocondução.
O mercado de veículos autônomos pode movimentar centenas de bilhões de dólares, e a demonstração de viabilidade técnica e comercial de qualquer uma das duas abordagens definirá o futuro da indústria. Se a Tesla provar que sua inteligência artificial baseada exclusivamente em câmeras consegue operar em larga escala com segurança, será uma conquista monumental que pode superar tanto a Waymo quanto a Uber em competitividade de preço.
Fonte: TechCrunch

