A discussão sobre o direito de reparo não se limita apenas aos dispositivos eletrónicos. Nesta terça-feira, a Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos anunciou, em conjunto com cinco estados americanos, um acordo histórico com a Deere & Company, fabricante dos equipamentos agrícolas John Deere.
O regulador moveu uma ação judicial contra a famosa empresa de tratores verdes no ano passado, alegando que a compañía praticava condutas injustas que restringiam a capacidade dos agricultores de reparar os seus próprios equipamentos. As políticas implementadas pela empresa obrigavam proprietários de máquinas e prestadores de serviços independentes a pagar valores mais elevados por qualquer assistência técnica necessária.
De acordo com os termos do acordo, válido por dez anos, a Deere será obrigada a disponibilizar aos agricultores e aos reparadores independentes os mesmos recursos de reparo, incluindo as ferramentas de software aplicáveis, que atualmente oferece aos concessionários autorizados. A empresa também ficará sujeita a requisitos de relatórios e supervisão, e o acordo inicial poderá ser prolongado caso a companhia viole as condições estabelecidas.
Nathan Proctor, diretor da campanha Direito de Reparo da organização US PIRG, comemorou o resultado em declaração oficial. "Devemos ser capazes de consertar as nossas próprias coisas. Este acordo da FTC oferece aos agricultores mais e melhores opções para reparar os seus equipamentos. É uma vitória para os agricultores e para todos nós que queremos um mundo mais reparável", afirmou. "O nosso objetivo, desde o início da campanha, foi garantir que os agricultores e os mecânicos independentes tenham tudo o que precisam para consertar as máquinas. Continuaremos a monitorizar a situação e a defender para que esse objetivo seja uma realidade."
Num contexto de custos elevados para a construção de novas tecnologias, com preços que não devem diminuír num futuro próximo, a visão de um mundo mais reparável parece ser uma alternativa cada vez mais atraente.
