Nova York fez história ao se tornar o primeiro estado norte-americano a impor uma moratória na construção de grandes centros de dados. A governadora Kathy Hochul assinou uma ordem executiva que suspende temporariamente a aprovação de permissões ambientais para instalações que consumam 50 megawatts ou mais de energia.
A medida terá duração de até um ano, permitindo que autoridades estaduais elaborem regulamentações específicas para proteger a rede elétrica, o meio ambiente e as comunidades locais. "Nova York vai liderar a criação dos padrões mais rigorosos do país para o desenvolvimento de centros de dados, garantindo que quando as empresas prosperarem grâce a Nova York, os nova-iorquinos também prosperem", declarou Hochul em coletiva de imprensa.
A ordem executiva entrou em vigor imediatamente e não afetará projetos que já possuem todas as permissões necessárias. A ação é independente de um projeto de lei chamado "Responsible Data Center Development Act" (Lei de Desenvolvimento Responsável de Centros de Dados), aprovado pela Assembleia Estadual no mês passado. Essa proposta também previa a suspensão de permissões por um ano, além de exigir metas de eficiência energética e benefícios específicos para as comunidades anfitriãs.
A governadora ainda não assinou o projeto de lei, mas está avaliando a possibilidade. Anteriormente, Hochul havia expressado apoio à inteligência artificial como ferramenta potencial de pesquisa e impulsionadora da economia.
Diante da oposição pública aos centros de dados, diversos estados americanos tentam implementar proibições semelhantes. O legislativo do Maine aprovou uma moratória recente, mas o veto veio da governadora democrata Janet Mills. Outros estados com legislação em tramitação incluem Washington, Wisconsin, Illinois, Pensilvânia, Novo Hampshire, Connecticut e Carolina do Sul. Bans locais também foram impostos em cidades como Seattle.
Hochul, conhecida como uma democrata moderada favorável aos negócios, havia declarado inicialmente que proibições de centros de dados deveriam ser decididas por cidades e comunidades. No entanto, às vésperas das eleições locais, ela decidiu avançar com a moratória. "À medida que o desenvolvimento de centros de dados ameaça elevar as contas de luz, esgotar nossos recursos naturais e criar incertezas para os nova-iorquinos, é minha responsabilidade agir e liderar", afirmou a governadora.
