O TikTok está no centro de uma nova polêmica após revelar práticas questionáveis relacionadas à segurança de sua plataforma. Os senadores Marsha Blackburn e Richard Blumenthal enviaram uma carta contundente aos executivos da empresa solicitando esclarecimentos sobre testes realizados com recursos de segurança do aplicativo.
De acordo com investigações publicadas pela Bloomberg, a companhia desenvolveu em 2021 uma funcionalidade algorítmica destinada a auxiliar os usuários a fugir de padrões repetitivos de conteúdo, as chamadas "bolhas de filtro", em seu feed de recomendações. A proposta inicial do recurso era prevenir a exposição excessiva a categorias de vídeos que, embora inofensivos individualmente, poderiam se tornar problemáticos quando consumidos em sequência.
No entanto, a empresa optou por não disponibilizar essa proteção a milhões de pessoas. O propósito seria criar um grupo de comparação para medir os efeitos da ferramenta no engajamento dos usuários. Documentos internos obtidos pela publicação indicam que um adolescente americano de 17 anos, Chase Nasca, foi incluído nesse grupo de controle e acabou sendo exposto a uma quantidade massiva de conteúdos sobre suicídio, automutilação e temas depressivos, circunstâncias que teriam contribuído para sua morte por suicídio.
No documento enviado à ByteDance, dona do TikTok, os senadores classificaram a conduta como "sinistra" e destacaram que a empresa já havia sido alertada sobre os impactos de seus algoritmos na saúde mental de crianças e adolescentes. A carta também questiona se a companhia já deixou de implementar funcionalidades de segurança por receio de impactos negativos no engajamento ou na receita publicitária.
Os legisladores, conhecidos por sua atuação na defesa de menores nas redes sociais e apoiadores do projeto de lei de Proteção Online para Crianças, fixaram o prazo de primeiro de setembro para que a plataforma apresente respostas detalhadas sobre esse e outros experimentos semelhantes.

