O governo irlandês está reavaliando a utilização de energia nuclear como resposta ao crescimento exponencial da demanda de energia no setor de centros de dados. Segundo informações do Financial Times, o primeiro-ministro Micheál Martin manifestou abertura para essa possibilidade durante um jantar com representantes do setor empresarial.
Durante quase três décadas, a Irlanda manteve uma proibição legal da fissão nuclear para geração de eletricidade. Contudo, nos últimos meses, cresce a pressão para reverter essa decisão. Em maio, o parlamentar James O'Connor, do partido Fianna Fáil, apresentou um projeto de lei que busca encerrar a proibição e permitir a avaliação oficial da energia nuclear no país.
O interesse pela energia nuclear cresceu principalmente devido à demanda crescente do setor de centros de dados. Em julho, foi revelado que esses equipamentos consumiram 23 por cento de toda a eletricidade medida da Irlanda durante o ano de 2025. Atualmente, os centros de dados do país consomem quase a mesma quantidade de energia que todos os residências juntas.
Desde 2015, a Irlanda experimentou uma proliferação massiva de centros de dados, com o consumo de energia desse setor aumentando em 518 por cento. Mais de 80 centros de dados operam atualmente no território irlandês, com grande concentração na região de Dublin.
Apesar dessa presença significativa, a Irlanda depende fortemente de importações de energia, com aproximadamente quatro quintos de sua energia vindo do exterior. A maior parte está vinculada à geração por gás natural, que representou cerca de 40 por cento da geração elétrica do país no ano passado.
A transição para a energia nuclear não seria rápida, visto que uma usina nuclear leva em média entre seis e dez anos para ser construída. A professora Hannah Daly, especialista em energia sustentável da University College Cork, comentou que essa tecnologia certamente não podrá atender nenhum desses desafios nos próximos 15 a 20 anos.
No cenário internacional, empresas como Google, Amazon e Meta já firmaram contratos para obtenção de energia nuclear em grande escala. O setor também investe heavily em tecnologias avançadas, especialmente reatores modulares pequenos, que têm conquistado apoio crescente em diversos países. A empresa Crusoe fechou parceria com Aalo Atomics para construir o que pode ser o primeiro centro de dados de inteligência artificial alimentado por energia nuclear no Idaho National Laboratory, nos Estados Unidos.
Fonte: DCD

