Um experimento singular mobilizou cerca de mil pessoas ao redor do mundo para uma missão incomum: enterrar suas próprias calças íntimas de algão e deixá-las sob a terra por sessenta dias. O objetivo não era nenhuma brincadeira ou tradição peculiar, mas sim um projeto de ciência cidadãa que visava avaliar a condição sanitária dos solos em nada menos que vinte e cinco países.
Os resultados dessa pesquisa peculiar foram divulgados em um artigo recente publicado na revista especializada Plants People Planet. O estudo revela que a maneira como o solo é tratado pode exercer uma influência significativa tanto na vida biológica quanto na qualidade geral do terreno. A conclusão principal aponta que solos saudáveis, com alta atividade biológica, são fundamentais para a fertilidade, para a ciclografia de nutrientes e para diversos outros serviços essenciais que os ecossistemas oferecem.
Segundo Marcel van der Heijden, coautor do estudo e agroecologista da Universidade de Zurique, na Suíça, a saúde do solo reveste-se de importância capital para a agricultura e, consequentemente, para a segurança alimentar global. O pesquisador alerta que, apesar de sua relevância, a qualidade dos solos tem registrado queda constante em escala planetária.
Entre os indicadores utilizados para mensurar a saúde do solo, destaca-se a velocidade de decomposição de matéria orgânica complexa, como folhas, madeira e até mesmo restos de animais. Esse processo transforma compostos complexos em substâncias mais simples, liberando dióxido de carbono e nutrientes no ambiente. Apesar da importância do tema, os pesquisadores apontaram que estudos amplos sobre decomposição em diferentes modelos de uso da terra ainda são escassos na literatura científica.
Fonte: Ars Technica

