Início Criptomoedas Plataforma digital promete revolucionar rastreamento de baterias de veículos elétricos no Brasil
Criptomoedas

Plataforma digital promete revolucionar rastreamento de baterias de veículos elétricos no Brasil

Share
Na foto, Tathiana Canan, cofundadora da Vetrii, e Marcos Berton, pesquisador-chefe do ISI-Eletroquímica Crédito: Jesse Camargo Passaporte Veicular digital pode transformar rastreabilidade de baterias elétricas no Brasil — Fonte: Livecoins
Share

As baterias de automóveis elétricos e híbridos guardam muito mais do que energia. Ao longo de sua existência, elas acumulam dados sobre fabricação, materiais empregados, uso, conservação, desempenho e, finalmente, seu destino final, que pode incluir reaproveitamento em outros segmentos, recondicionamento ou processamento para reciclagem. Transformar essas informações em uma identidade digital inviolável e rastreável é o conceito por trás do Passaporte Digital de Baterias, solução que pode ganhar destaque no Brasil diante do crescimento das discussões sobre economia circular no setor automotivo.

O Projeto de Lei 2.132/2025, que cria a Política Nacional de Circularidade das Baterias, busca incentivar práticas de descarbonização e fortalecer a economia de ciclo fechado. A proposta estabelece responsabilidade compartilhada entre todos os elos da cadeia produtiva pelo descarte adequado dos acumuladores de energia ao final de sua vida útil. Na versão aprovada pela Comissão de Meio Ambiente do Senado, a logística reversa poderá ser operada por acordos setoriais, termos de compromisso ou regulamentações específicas.

Caso a proposta avance no Congresso Nacional, a necessidade de monitorar a trajetória das baterias tende a se tornar uma prioridade para o setor industrial. É nesse cenário que o passaporte digital pode atuar como instrumento capaz de organizar e tornar verificáveis informações que atualmente podem estar fragmentadas entre fabricantes, montadoras, oficinas autorizadas, concessionárias, empresas de reciclagem e demais participantes da cadeia.

"O passaporte digital funciona como uma identidade única e permanente para cada bateria de veículo elétrico ou híbrido. Ele acompanha tanto o acumulador quanto suas células, desde a produção até o fim de sua vida útil, reunindo dados como origem e composição dos materiais, especificações técnicas, histórico de uso e manutenção, indicadores de desempenho, reparos, substituições e destino final", detalha Tathiana Canan, cofundadora da Vetrii, empresa que integra o Habitat Mobilidade no Parque Tecnológico da Indústria.

Na prática, o sistema opera por meio de um registro individual, que pode ser acessado por tecnologias como QR Code ou RFID. Esse registro permite organizar diferentes camadas de informação, com níveis de acesso e validação estabelecidos para cada participante autorizado da cadeia. Assim, o fabricante pode inserir dados de produção e composição; empresas de manutenção podem atualizar informações sobre reparos realizados; consumidores e operadores podem monitorar indicadores de desempenho; e o mercado de reciclagem terá informações confiáveis para determinar o destino adequado do produto.

A proposta se assemelha a iniciativas já implementadas internacionalmente, como o Batery Passport adotado pela União Europeia. No Brasil, uma das soluções em desenvolvimento é uma plataforma de Passaporte Digital de Baterias criada pela Vetrii em parceria com o Projeto Estruturante do ISI-Eletroquímica. A tecnologia utiliza blockchain e arquitetura Web3 para registrar os eventos do ciclo de vida da bateria em uma estrutura compartilhada e auditável.

A tecnologia blockchain é empregada para criar um registro que dificulta alterações posteriores das informações. Cada bateria e suas células são tokenizadas, ou seja, recebem um identificador digital único que acompanha o ativo físico durante toda sua trajetória. "Cada bateria recebe um token, que funciona como uma certidão de nascimento digital do produto. A partir dele, os eventos do ciclo de vida — fabricação, instalação no veículo, manutenção, degradação, transferência de propriedade e reciclagem — podem ser registrados de forma permanente e auditável", afirma Tathiana.

A tecnologia, contudo, é apenas uma parte da solução. Para que os dados registrados sejam úteis ao setor industrial, é fundamental garantir que as informações técnicas sejam confiáveis desde a origem. É nesse ponto que entra a atuação do Instituto Senai de Inovação em Eletroquímica, que contribui com protocolos de medição e qualidade de dados, ensaios laboratoriais e validação de indicadores relacionados ao desempenho das baterias, como o estado de saúde e o estado de carga.

"A principal contribuição do instituto é fornecer a base científica e experimental para transformar os dados do passaporte digital em informações confiáveis sobre o desempenho, a segurança, a degradação e a vida útil das baterias", explica Marcos Berton, pesquisador-chefe do ISI-Eletroquímica. Segundo ele, essa etapa também é essencial para garantir que os dados possam ser utilizados por diferentes agentes da cadeia.

"Essa validação deve assegurar a integridade, a rastreabilidade e a interoperabilidade dos dados, permitindo que fabricantes, consumidores, recicladores e órgãos reguladores tomem decisões fundamentadas ao longo de toda a cadeia de valor", complementa.

A rastreabilidade também pode modificar a maneira como o setor encara baterias que deixam de atender aos requisitos para determinada aplicação. Antes de serem encaminhadas diretamente à reciclagem, algumas unidades podem ter potencial para reuso ou recondicionamento, dependendo de suas condições técnicas. Com informações sobre histórico de utilização, degradação e estado de saúde, torna-se viável avaliar com maior precisão o destino de cada bateria ou célula após sua primeira aplicação.

Esse processo ganha relevância à medida que cresce a frota de veículos eletrificados no país. Segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico, o Brasil está próximo de alcançar a marca de 1 milhão de veículos leves eletrificados. Em agosto de 2026, foram registrados 57.386 emplacamentos, elevando a frota acumulada para 950.183 unidades. A frota eletrificada leve em circulação representa atualmente cerca de 1,7% a 1,9% do total de veículos leves do país e cresceu 48% entre maio de 2025 e maio de 2026.

O crescimento da frota também significa que, nos próximos anos, o país terá um volume maior de baterias chegando ao fim de sua primeira vida útil. Para a indústria, preparar-se para essa realidade significa lidar não apenas com uma questão ambiental, mas também com materiais de interesse estratégico, como lítio, níquel e cobalto. A possibilidade de recuperar esses materiais, ampliar o uso de baterias ou células em aplicações de segunda vida e estruturar novos serviços associados à rastreabilidade pode contribuir para o desenvolvimento de uma cadeia nacional de circularidade.

A solução desenvolvida pela Vetrii e pelo ISI-Eletroquímica encontra-se atualmente em fase de validação, com planejamento para que a tokenização das baterias ocorra em paralelo ao processo de fabricação dentro do projeto estruturante. A validação em ambiente real está prevista para o segundo semestre de 2026.

Para Tathiana, um dos diferenciais da iniciativa está justamente na construção de uma solução nacional que considere, desde sua concepção, as particularidades da cadeia produtiva brasileira. Além do blockchain, a plataforma prevê acesso por QR Code ou RFID e integração de dados técnicos e ambientais. A proposta é criar uma estrutura de governança compartilhada, na qual os diferentes participantes possam registrar, consultar e validar informações conforme suas atribuições.

Mais do que criar um histórico digital, o objetivo é transformar os dados em uma ferramenta para tomada de decisão. Com informações confiáveis sobre a trajetória de cada bateria e células, fabricantes, empresas, recicladores e órgãos reguladores podem ter maior visibilidade sobre o produto e seus impactos ao longo de todo o ciclo de vida.

Fonte: Livecoins

Share
Artigos relacionados
Criptomoedas

Gestora bilionária projeta que agentes virtuais podem revolucionar mercado de moedas digitais

A BlackRock, uma das maiores gestoras de recursos do mundo com US$...

Criptomoedas

Trump declara compra milionária de títulos da Strategy em documento governamental

O presidente Donald Trump revelou em documentação oficial uma aquisição de títulos...

Criptomoedas

Parlamentares de estados com jogos de azar solicitam à Suprema Corte análise do caso da Kalshi

Um grupo de inúmer‌os legisladores estaduais dos Estados Unidos apresentou um pedido...

Criptomoedas

Autoridades monetárias europeias sugerem eliminar restrição de 60% para lastro de stablecoins em depósitos bancários

As autoridades monetárias do bloco europeu divulgaram nesta terça-feira um amplo relatório...