A empresa Méliuz, listada na bolsa sob o código CASH3, registrou um lucro líquido sem precedentes de R$ 113,7 milhões entre julho e setembro de 2026. O resultado representa uma disparada de quase oito vezes diante do lucro de R$ 14,2 milhões apurado no mesmo período do ano anterior, conforme dados financeiros publicados na quarta-feira, dia 4.
O desempenho expressivo foi impulsionado parcialmente por um ganho contábil de R$ 78,5 milhões, decorrente da valorização das reservas de bitcoin mantidas pela corporation durante o trimestre. A companhia ainda observou avanço significativo no indicador operacional de EBITDA, que saltou para R$ 85,3 milhões ante os R$ 26,1 milhões registrados no terceiro trimestre de 2025.
No acumulado dos últimos doze meses, a divisão Beyond E-commerce, responsável por negócios fora do comércio eletrônico convencional, gerou receita de R$ 85,1 milhões. O valor supera toda a receita consolidada de R$ 81,5 milhões obtida pela organização em 2019, período anterior à sua listagem na bolsa de valores.
Em relação à estratégia de tesouraria em bitcoin deflagrada em março de 2025, a corporação terminou setembro com 526,7 unidades da moeda digital em custódia, ao preço médio de aquisição acumulado de US$ 103.321,60 por bitcoin. Pela primeira vez desde que a política financeira foi flexibilizada em agosto, a diretoria alienou 78 bitcoins por R$ 29,4 milhões, equivalentes a US$ 5,65 milhões, para viabilizar o segundo ciclo de recompra de ações próprias sem recurrir a endividamento.
Para preservar a exposição aos ganhos futuros da criptomoeda após a alienação parcial, a organization firmou contratos de opções de compra que garantem o direito de readquirir os mesmos 78 bitcoins em 2027. O custo máximo estabelecido para recomprar todo o lote ficou limitado a US$ 5,85 milhões, ou aproximadamente US$ 75 mil por cada moeda digital. Por meio dessa operação estruturada sem alavancagem, o grupo capturou o lucro acima do preço de exercício já no fechamento de 30 de setembro, quando a cotação alcançava US$ 83.554.
Como a estratégia com derivativos ainda não foi completamente liquidada, o balanço do terceiro trimestre reflete tão somente a primeira etapa da transação. A reserva de moedas recuou 12,9%, enquanto o total de ações em circulação caiu 7,5%. Com isso, a proporção de bitcoin por mil ações passou de 0,00581 no segundo trimestre para 0,00547 no terceiro, gerando retração trimestral de 5,8% no indicador Bitcoin Yield.
Após a conclusão da recompra dos 78 bitcoins sobre a base acionária reduzida de 96,3 milhões de papéis, o estoque voltará a atingir 604,7 unidades e elevará a proporção para 0,00628 bitcoin por mil ações, o que representaria crescimento positivo de 8,1% sobre o segundo trimestre e avanço de 17,4% em comparação com setembro de 2025. A Méliuz permanece como a primeira companhia de capital aberto da América Latina a adotar um modelo de negócios baseado em reservas de bitcoin em tesouraria.
Fonte: Livecoins