O Bitcoin iniciou junho com a pior performance registrada nos últimos meses. A principal criptomoeda do mundo caiu 10% em apenas três dias úteis, atingindo a marca de US$ 66 mil — o menor preço desde o fim de março. O recuo de mais de 5% registrado na terça-feira (2) representa uma perda acumulada de aproximadamente 15% em sete dias, movimento que analistas avaliam como ainda não esgotado.
Fatores conjugados amplificaram a queda
A desvalorização não pode ser atribuída a um evento isolado. O mercado foi atingido simultaneamente por uma combinação de fatores negativos: o aumento das tensões geopolíticas entre Irã e Estados Unidos, a sequência de saídas dos ETFs de Bitcoin à vista, a venda de BTC pela Strategy — empresa conhecida por sua agressiva estratégia de acumulação — e a movimentação de mais de 10 mil bitcoins ligados à antiga corretora Mt. Gox, que entrou em falência há uma década.
Contexto geopolítico pressiona ativos de risco
O pano de fundo utama da queda reside na deterioração do apetite global por risco. O Irã anunciou o encerramento das negociações diplomáticas com os Estados Unidos e voltou a ameaçar o fechamento do Estreito de Ormuz e do Estreito de Bab el-Mandeb, duas rotas estratégicas para o comércio mundial de energia. Mesmo com o presidente Donald Trump afirmando que conversas continuam, o clima de incerteza permanece elevado.
Reações em cadeia nos mercados
A ameaça iraniana elevou os preços do petróleo e reavivou preocupações inflacionárias. Com a commodity mais cara, investidores passam a antecipar um ambiente mais desafiador para cortes de juros, já que energia mais cara pressiona custos em toda a economia. Esse cenário tende a ser desfavorável para ativos de risco, especialmente ações de tecnologia e criptomoedas.
O quadro foi corroborado pelos dados do mercado de trabalho norte-americano. O relatório JOLTS revelou 7,62 milhões de vagas abertas nos Estados Unidos em abril, número acima das expectativas do mercado. A Resilience econômica reduz a urgência para que o Federal Reserve promova cortes de juros no curto prazo.
Consequently, o Bitcoin ficou preso entre dois vetores negativos: de um lado, a tensão geopolítica aumenta a busca por proteção e liquidez; de outro, dados econômicos fortes nos Estados Unidos mantêm juros elevados por mais tempo, diminuindo o apelo de ativos mais voláteis.
Saídas de ETFs intensificam pressão vendedora
Another elemento fundamental foi a saída contínua de capital dos ETFs de Bitcoin à vista nos Estados Unidos. Na segunda-feira, esses produtos registraram resgate líquido de US$ 483,8 milhões, seguido por mais US$ 519,2 milhões de saídas na terça-feira. Essa sequência ampliou o período negativo dos ETFs para 12 dias consecutivos.
Nas últimas três semanas, os fundos acumularam aproximadamente US$ 3,7 bilhões em saídas, o pior período desde novembro de 2024. A relevância dessa leitura reside no fato de que os ETFs vinham atuando como uma das principais portas de entrada institucional para o Bitcoin desde sua aprovação regulatória.
When há fluxo positivo, os ETFs ajudam a absorver oferta e criam demanda recorrente pelo ativo. Quando os resgates se acumulam, o efeito se inverte: gestores precisam vender ou ajustar posições, reforçando a pressão vendedora no mercado à vista. Em maio, os ETFs de Bitcoin registraram a pior saída mensal do ano, com US$ 2,43 bilhões removidos — valor que apagou de uma vez boa parte do efeito positivo observado em abril.
Venda da Strategy abalou a confiança do mercado
A decisão da Strategy de vender 32 bitcoins serviu como catalisador para a queda mais acentuada. A operação movimentou cerca de US$ 2,5 milhões — quantia irrisória diante da tesouraria de mais de 843 mil BTC da companhia —, mas seu impacto no sentimento do mercado foi desproporcional.
A empresa de Michael Saylor construiu sua reputação como a maior compradora corporativa de Bitcoin do mundo, com uma filosofia orientada à acumulação permanente. Quando essa instituição vende, mesmo uma fatia mínima, surge a questão sobre se o BTC em tesouraria pode ser utilizado com mais frequência para cumprir obrigações financeiras.
Conforme a empresa, os recursos da venda devem financiar distribuições de ações preferenciais. Para Saylor, essa estrutura faz parte da gestão de capital e pode ajudar a financiar obrigações corporativas e futuras captações para aquisição de mais bitcoins.
Impacto técnico acelerou o movimento
A perda da faixa de US$ 70 mil também teve consequências técnicas significativas. Esse nível era observado por traders como uma região importante de suporte e, ao ser rompido, contribuiu para ativar ordens automáticas de venda e liquidações de posições compradas. Mais de US$ 1 bilhão em posições alavancadas foram liquidadas em apenas 24 horas na terça-feira, amplificando a velocidade da queda.
Desempenho das altcoins no contexto de queda
As altcoins acompanharam o movimento de desvalorização. Nesta quarta-feira, o Ethereum caiu cerca de 5%, вместе com Solana e BNB. Entre as poucas exceções, Hyperliquid e Zcash apresentam alta expressiva desde maio, demonstrando que nem todos os ativos digitais foram afetados de forma uniforme.
Perspectivas para os próximos dias
O cenário permanece desafiador para o Bitcoin no curto prazo. A combinação de tensões geopolíticas, saídas institucionalizadas de capital e um ambiente de juros elevados nos Estados Unidos cria headwinds significativos para a criptomoeda. Os investidores monitoram de perto os próximos dados econômicos norte-americanos e any evolução nas negociações entre Irã e Estados Unidos para avaliar posibles desdobramentos.
